segunda-feira, 20 de maio de 2013
• Uma pedra mais para o meu castelo - VII
À beira de água corrente. Não muita. Somente com um curso um tudo nada suficiente para não secar no estio. Com margens verdes todo o ano. Com uma natureza disciplinada por um açude. Para aproveitar a força motriz da água. Com uma praia fluvial para um tranquilo fruir dos tempos livres, tanto no tempo quente como no frio.
Uma morada assim, se do sonho virasse realidade, tornar-me-ia um sedentário militante. Até é melhor talvez nunca ter.
Nota: A foto no topo deste post é o Le Moulin de l’Abbaye Hotel em Brantôme, Périgord, França.
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quinta-feira, 9 de maio de 2013
• Sidra
Quando eu era um puto de oito anos, havia na região saloia onde cresci uma fábrica de refrigerantes perto de Caneças onde era produzida graças a um franchising uma bebida que aprendi a gostar por demais: a extinta Carbo Sidral.
Áquela época, as grandes cadeias de distribuição alimentar tipo Sonae ainda não tinham aparecido ou proliferado tanto assim como hoje. Por isso, a boa da Carbo Sidral saía da fábrica em velhos camiões de transporte de grades de garrafas e estas eram descarregadas directamente em cafés e restaurantes da zona da grande Lisboa, pelo menos. E até mesmo à porta do consumidor final! Isto no nosso próprio caso, o dos habitantes aqui da zona da então freguesia de Odivelas que bastava fazer o pedido nesse sentido ao departamento comercial da fábrica. Todas as semanas tinhamos certinha uma grade de 12 garrafas a ser-nos entregue. Como se fosse pela carrinha de um leiteiro de antigamente.
No meu ano sabático de férias pagas pelo exército português na ilha da Madeira experimentei uma vez só na vila piscatória do Caniçal uma bebida que era até então apenas um mito pessoal. Falo da sidra que me disseram ser tradicional do Santo da Serra. Não fiquei mesmo nada cliente naquele exacto momento. Aquilo era mais um vinagre do que uma poção que me recordasse o suco do fruto do pecado original.
Quando debutei a minha carreira profissional na área da engenharia, tive de efectuar frequentes deslocações até ao Minho, principalmente aos concelhos da Póvoa do Lanhoso e de Vieira do Minho. Aí, uma daquelas pequenas impressões locais que me chocava sobremaneira era a quantidade de maçãs que jaziam nos solos, caídas das árvores nos campos daquelas paragens. Sem que ninguém aparentemente quisesse tirar qualquer proveito daquele recurso que a natureza generosamente disponibilizava. Dava vontade de fazer alguma coisa! Não perpetuar um desperdício tão grande como aquele. Mas como? Isso à altura eu ainda não vislumbrava.
Quase a abeirar os meus quarenta anos, descobri essa pequena maravilha terrena que é a Bretanha francesa e, claro, por força das circunstãncias, le cidre doux breton… e foi um coup de foudre. A partir daí, se tivesse de escolher uma só bebida, além da H2O de Lineu e do leitinho Vigor, que fosse a única até ao fim dos meus dias que eu poderia engolir ás refeições essa seria a sidra que os celtas nos deixaram em legado.
Com um curriculum vitae destes, ás tantas eu devo ser um gajo mesmo ideal para relançar a produção nacional de sidra, penso eu!…
Andei a ver umas coisas aqui e acolá na web. Ao menos no Santo da Serra, na Madeira, a sidra parece que não passa de moda… A julgar pelo cartaz lá em cima.
Aqui no continente consta que a sidra já teve uma tradição de consumo no norte, justamente no Minho. Tradição essa que em Ponte de Lima se pretende renovar, com o arranque da produção de sidra tradicional, sob a marca Lagoas. Como se mostra numa foto acima neste post. Há dois anos que esta iniciativa dura. Desconheço ainda que sucesso terá hoje.
Aqui no continente consta que a sidra já teve uma tradição de consumo no norte, justamente no Minho. Tradição essa que em Ponte de Lima se pretende renovar, com o arranque da produção de sidra tradicional, sob a marca Lagoas. Como se mostra numa foto acima neste post. Há dois anos que esta iniciativa dura. Desconheço ainda que sucesso terá hoje.
Junto do Minho temos a Galiza. Que será a região espanhola com mais toneladas de maçã colhidas. Tantas que as exportam a granel para que chineses e japoneses também façam hoje a sua sidra. Um pouco mais longe, nas Astúrias, existe desde tempos imemoriais a melhor sidra ibérica, dizem.
Mas para beber a melhor de todas para mim, temos de continuar a rumar mais a norte ao longo da costa. Ah, a cidra doce da velha Armorique! Com uma publicidade como a da Kerisac, que se mostra aqui ao lado, nem carecia de ser tão boa… E então o kir breton! Ui... Mas há muito mais mundo no que diz respeito ao rico sumo de maçã fermentado. A saber...
Nas Américas, onde o saber da produção da sidra foi trazida pelos colonos britânicos, alguns tipos novos deste néctar divino terão surgido. Como é o caso da cyser. Que é uma sidra em que se mistura mel, tornando-a assim mais densa e escura e, para além disso, muito doce. Aqui ao lado, a da Eaglemount, de produção artesanal no estado de Washington, bem lá no noroeste americano. Que pomada que isto deve ser, meus deuses!!!... Oxalá haja deste lado do Atlântico também.
No Canadá, perto dali, once já vingava um algo surpreendente ice wine, nas regiões bem frias junto ao Alaska, fizeram nascer também a ice cider. Feita a partir de maçãs mirradas pela neve e pelo gelo. Que aqui em Portugal os jovens agricultores diriam logo que eram duma colheita para deitar inteirinha para o lixo. Aqui à direita, uma típica garrafa de design finíssimo, da marca Pinnacle, do Quebec. Valendo o seu peso em ouro, muito provavelmente...
No hemisfério sul, a Argentina tem na sidra uma bebida de largo consumo. Já no Brasil, a coisa parece que pega sobretudo ou só quase no Natal, onde se apelida de champagne dos pobres. Imagem um pouco pejorativa que me arrepia o pelo, por depreciar a minha bebida preferida. Mas talvez a maçã tupiniquim não seja mesmo lá essas coisas… Apesar da esbeltez da embalagem à esquerda ilustrada... Para pobres, hein?...
Já me estou a alongar e ainda não toquei no célebre Calvados da Normandia nem no apple brandy anglo-saxão. Nem ainda em sidras que não levam sumo de maçã… mas de pera. Ou de frutos vermelhos. Ou sidras misturadas com vinho. Ou a sidra tomada quente - sim, quentinha, que nem um chá - com um indispensável pau de canela a aromatizar, mergulhado na chávena. Mas por hoje fico por aqui.
Ressuscitar a sidra em Portugal é bem uma ideia peregrina! Requeriria toda uma campanha de marketing bem arrojado. Mas seria para o bem comum, uma vez que esta bebida tem tantas boas potencialidades para a saúde humana… A ver, citando este artigo aqui, da autoria de Regina Pereira, engenheira agrícola:
"A Sidra tem alguns efeitos benéficos para a saúde, sendo um produto, diurético, eupéptico (facilita a digestão), anti-oxidante, febrífugo (inibe a febre), anticatarral, antidiarreico, digestivo, que previne enfartes e outras doenças cardíacas, protege a arteriosclerose, é anticancerígeno, cicatrizante, entre outros.
Não é por isso de estranhar ouvir dizer que «saímos do paraíso por causa da maçã e com a maçã voltamos ao paraíso».
Por isso, beba Sidra (com moderação)…"
Não é por isso de estranhar ouvir dizer que «saímos do paraíso por causa da maçã e com a maçã voltamos ao paraíso».
Por isso, beba Sidra (com moderação)…"
Tenho de estudar agora quais são as melhores variedades de maçã da Tugalândia que se adequarão a ser transformadas em líquido. Nem que seja para apenas me poder relembrar do saudoso sabor da Carbo Sidral de quando eu era um infante muito verde.
terça-feira, 30 de abril de 2013
• A vida
E é isto!… Não há muito mais que valha a pena acrescentar a este longo arrazoado de verdades de La Palisse.
Só me falta cumprir uma coisita, que é viajar muito pelo mundo real. Porque pelo virtual já fui até aos confins do Pólo Sul. E este blog já me proporcionou sonhar bastante. Mas ainda estou em bom tempo para aumentar um pouco mais a parada onírica.
Só me falta cumprir uma coisita, que é viajar muito pelo mundo real. Porque pelo virtual já fui até aos confins do Pólo Sul. E este blog já me proporcionou sonhar bastante. Mas ainda estou em bom tempo para aumentar um pouco mais a parada onírica.
domingo, 14 de abril de 2013
• Uma pedra mais para o meu castelo - VI
Um puff. Modular. Constituído por várias peças em forma de bolas de tennis. Recheadas com a clássica solução de pequenas bolinhas de esferovite. Confortável. Gosto. Quero! ;-)
Sempre quis ter no centro da minha sala de estar um puff daqueles enormes, género bosta de vaca com mais de 2,5 m de diãmetro. Tal como um tio meu tinha no seu apartamento no centro de København*, nos anos oitenta do século passado.
Grão a grão o meu castelo está-se a compor. Nem que seja só na minha imaginação. Qualquer dia vou convidar para a inauguração todos os meus amigos… imaginários.
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segunda-feira, 1 de abril de 2013
• Dia das verdades
Hoje, dia 1 de Abril, ocorreu-me esta repentina ideia peregrina, que vou passar a contar…
E que tal se houvesse, para além do dia das mentiras - ou até em seu lugar, porque não? -, um dia das verdades?…
É que, convenhamos… Dizer uma peta é demasiado fácil. O que era de homem era ter tomates para dizer aquelas verdades. Tipo:
Vamos pensar nesta proposta com carinho, shall we?…
- Yah, tás gorda. Mas também, é só um kilinho, caramba…
- O quê, vocês acreditaram quando nós dissémos que aquilo que se passou no Chipre não vai acontecer em outros países europeus? Pobres ingénuos…
- Empresta-me aí algum guito, mas olha que não tenho intenção de devolver-te, ok?…
- Chefe, você é mesmo um g'anda filho da mãe!!! Oh, que porra, mas porque é que nunca mais me sai o EuroMilhões?…
- Nunca gostei dessa tua mania de esgravatares a manteiga para a barrar no pão. Eu deixo sempre a superfície lisinha…
- Sim, fiz batota, sim! E depois?…
sexta-feira, 29 de março de 2013
• Acreditar
E a época do ano que atravessamos presentemente, a Páscoa dos cristãos, é um tempo propício a renovações...
Fear not to fail, folks! Ever. Life is a never ending learning process.
Não temais levar as vossas ideias peregrinas avante, ó gentes! Uma bonita senhora, que se dizia militante do empreendedorismo partilhou com uma assembleia em que eu me inseri, que em Silicon Valley ela aprendeu que só ao fim de criar a sétima empresa própria é que se tem sucesso. Isto em termos médios, como é bom de ver.
Pelo meu lado, eu já estou é farto de falar apostas sozinho. Digo apostas na minha carreira profissional, não em dar vida a projectos pessoais como os que vão sendo descritos neste blog que criei. Que é talvez a mãe de todos esse projectos.
Este blog nasceu para ver se eu encontraria os meus pares. Aqueles que também têm ideias peregrinas.
Fear not to fail, folks! Ever. Life is a never ending learning process.
Não temais levar as vossas ideias peregrinas avante, ó gentes! Uma bonita senhora, que se dizia militante do empreendedorismo partilhou com uma assembleia em que eu me inseri, que em Silicon Valley ela aprendeu que só ao fim de criar a sétima empresa própria é que se tem sucesso. Isto em termos médios, como é bom de ver.
Pelo meu lado, eu já estou é farto de falar apostas sozinho. Digo apostas na minha carreira profissional, não em dar vida a projectos pessoais como os que vão sendo descritos neste blog que criei. Que é talvez a mãe de todos esse projectos.
Este blog nasceu para ver se eu encontraria os meus pares. Aqueles que também têm ideias peregrinas.
quarta-feira, 27 de março de 2013
• São os loucos de Lisboa*
E se é assim, vou trilhando por bom caminho. Porque loucura não se vislumbra estar em falta por aqui. Vamos a ver se há alguma dose de necessária razão, também…
Isto aqui é tudo só ideias peregrinas. Mas depois, no fim de contas, que boas ideias é que podem florescer quando este barco que é o mundo de hoje está a meter água?…
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* Alusão ao tema "Loucos de Lisboa" dos Ala dos Namorados, banda sonora oficial (ost) deste post, que pode ser escutada clicando aqui. Sempre achei uma certa piada condescendente com o ser rotulado de louco, devido a essa característica pessoal sobre a qual não podia ter dominio: o local onde nasci. É caso para dizer, má sorte ter sido olissiponense. Ou talvez não…
domingo, 24 de março de 2013
• Hello sushi Kitty!
Hoje vamos ter um post cheio de fotos a ilustrá-lo… Esteticamente rico e com este delicioso título "Hello sushi Kitty!".
Foi um choque e um espanto para mim isto que o génio nipónico foi capaz de inventar, quando o descobri por acaso, vagueando na net á toa… Mas depois de um embate inicial, não muito agradável até, afinal qual é assim a grande surpresa que esta brincadeira com um símbolo sagrado, este crime de lesa-gourmet constitui?
Isto é que é um laboratório de ideias a trabalhar à séria! Qual PS, quais pastéis de nata!! Isto é que são sinergias a funcionar ao mais alto nível! Então não temos, e muito bem, uma bela conjugação de dois dos ícones japoneses de maior sucesso e popularidade a nível global, hoje em dia?… A Hello Kitty do universo da banda desenhada e do cinema de animação e o sushi, ex-libris da culinária requintada?
Está bem que esta heresiazita parece uma palhaçada!… Está bem que eu não vou ser tentado a provar arroz cozido e peixe cru com um sabor que talvez nos sugestione mentalmente o caixote da areia de uma gata meiguinha! Mas…
Os olhos também comem. E os meus regozijaram-se nada mal ao mirar esta magnífica e bizarra criação que roça um conceito que se aproxima de pura arte.
quarta-feira, 13 de março de 2013
• Quero ser Marco Glaviano!
Já não estou na idade de sonhar com o que serei quando for grande… Mas a minha filha está. E eu aprecio ouvir os seus sonhos. E sonhar com ela os seus objectivos de vida tem o efeito de reviver os meus.
Ainda nada fiz nesta vida que tenha servido de justificação ao criador pelo seu esforço de me ter posto neste mundo. Excepto ter feito vir a este mesmo mundo a minha filhota e a ter educado enquanto ela me ensinava a ser pai. Desde a mais tenra idade que ela é o melhor dos mestres que eu tive.
Talvez também tenha aportado algo de bom às existências de outros seres que se cruzaram comigo por breves anos… Mas isso é pouco. Queria ter alcançado mais. Mas andei ao sabor do vento. A viver um dia de cada vez sempre. Nada mais.
Se bem que me veja como um falhado quando me encontro mais down, não me posso queixar contudo de não ter tido alguma sorte. Sorte que me aparece quando menos espero mas quando mais preciso. Nada a dizer! O destino me tem poupado de infortúnios maiores dos que a maioria dos demais sofrem. E isso me tem levado a confiar quiçá demasiado na fortuna mia.
Há dias minha descendência confessou-me que ambiciona dedicar-se à fotografia. Eu também acalentei esse desiderato quando era aluno universitário. Mas sempre tive a crença que não seria esta a minha actividade principal. Permaneceria em mim apenas como um hobby.
Hoje em dia estoy en el paro há cerca de um ano, com algumas interrupções esporádicas. And these are really harsh times, in our western world!… Tenho escassos meios económicos para realizar e no entanto imenso tempo para sonhar. E volto a sonhar ser um renomado fotógrafo. Mais empenhado do que até aqui fui. Enfim, não tanto pelo renome, que todos nós gostamos de ter reconhecimento público, vá... Mas mais pela satisfação pessoal. Pelo prazer de criar algo belo. Pela devoção de conseguir captar e guardar para a posteridade a beleza que tem de ser eternizada, by all means.
Perdi para a voragem da vida mundana um dos meus dois principais modelos. A minha última paixão. Queria voltar a ganhar uma musa como ela foi. E tenho fé que o hei-de conseguir. Lá está, crendo uma vez mais na minha sorte… E assim vou visando alto, querendo ser como Marco Glaviano*, um dos meus ídolos.
Neste país em que eu nasci, viveu um século antes de mim um visionário na então arte nascente da fotografia: Carlos Relvas. Cujo mui respeitável génio sonhou e construiu uma casa que julgo nunca terá servido de habitação mas foi antes concebida a pensar exclusivamente na sua utilização como atelier para a sua paixão por retratar pessoas. Que era no que a invenção da fotografia era sobretudo empregue no seu tempo. E assim nasceu na Golegã um curiosíssimo edifício a que hoje designamos Casa-Estúdio Carlos Relvas. Provavelmente único no seu tempo. E talvez tão improvável também que esta obra tenha surgido naquilo que Eça jocosamente chamava a "paisagem".
Mais uma vez, numa ciência que despontava um português não quis deixar de estar presente entre os pioneiros. Bela tradição nacional esta! Pode ser que me inspire neste meu devaneio. E por aqui minha actividade onírica se quedará hoje.
* Ou como Irina Ionesco. Ou Ansel Adams. Ou Jan Saudek. Ou Bob Carlos Clarke. Ou até um texano de menor nomeada mas que não deixa de ser fascinante, Johnny Crosslin. Que estes são alguns daqueles que mais aprecio a elevar a fotografia a uma arte maior. E de cujos temas principais que para si elegeram mais me aproximo.
Nota: as imagens deste post - à excepção da foto da Casa-Estúdio Carlos Relvas, como é bom de ver - constituem o meu "best of" de todo o imenso portfolio do siciliano Marco Glaviano.
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Aspecto exterior da Casa-Estúdio Carlos Relvas, na vila da Golegã |
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
• Uma pedra mais para o meu castelo - V
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
• A Felix Arabia
Chove copiosamente nesta tarde no meu país. E me recordo de uma amiga especial com um enorme coração que vive lá longe, a norte. E que detesta chuva.
A chuva, para quem está afastado das lides do campo, não costuma ser prazeirosa... E como há cada vez menos pessoas a trabalhar no sector primário da agricultura… Isto leva-me a concluir que muito poucos ou quase ninguém no meu país gosta da chuva, chuva, chuvinha… Como cantava a saudosa senhora da mala de cartão.
Em tempos, contudo, descobri um povo deste mundo com um costume curioso. Que é não apenas gostar mas literalmente amar a chuva que do céu lhes cai.
E não, não são os britânicos… é um povo duma orgulhosa nação da península arábica. Do sul desta região, por vezes conhecida como a Felix Arabia.
Quem me estiver a ler até aqui dirá: "Pudera! Devem passar-se anos que os coitados não vêem um pingo de chuva…". E eu retorquirei: "Errado!!! Aquilo lá cai a cântaros na época da monção.".
"Como assim? Julgava que aquelas partes eram só desertos de areia completamente secos…", espantam-se os leitores.
Pois, mas não é tudo sempre assim. Quando do verão do hemisfério norte as grandes bátegas de água trazidas pelos ventos da monção que se abatem sobre a Índia, também se guardam um pouco para cair na região sul do Sultanato de Oman, sobretudo na sua província de Dhofar, junto à fronteira oeste com o Yemen.
Aí os habitantes bendizem a chuva com que são presenteados. E não só eles como os seus vizinhos locais das grandes cidades da Arábia Saudita, dos Emiratos Arábes Unidos, do Qatar, do Bahrein, e etc… É que sabe bem sair de temperaturas acima de 45º à sombra e de ares tremendamente secos e ir passar férias com uns amenos 25º de máxima no meio de nevoeiros matinais e levar com uns aguaceiros daqueles a que nós chamamos de chuva "molha-parvos" nas fuças.
É mesmo isso o que leram: há gente que tira férias no tempo molhado e gosta bués disso!… Aliás, a chuva é mesmo o maior trunfo turístico da região de Dhofar na divulgação que esta faz. Para ver um pequeno filme promocional, clicar aqui.
As voltas que a minha mente conturbada dá!… No último post, do mês anterior, queria ir para o frio da Antárctica… Agora desejo também sentir o calorzinho duma Arábia que julgamos bastas vezes demasiado quente para nós, europeus. Mas onde podem afinal existir lugares bem aprazíveis. E sem necessidade de ar condicionado.
É então uma terra prometida, o Sultanato de Oman? Sim... Porque não?… Os portugueses já se deram bem por lá uma mão cheia de anos. Quando até lá construíram fortalezas para exercer algum domínio na zona do estreito de Ormuz.
Uma nação próspera, Oman, e ainda envolta em algum misterio, tão-só por não serem paragens das mais populares na oferta do mercado global do turismo. Mas bem merecedoras de receber muitos mais forasteiros. Mirai só este idílico Al Bustan Palace Hotel, das mil e uma noites, aqui na foto neste parágrafo... Para quem quer ir para Shangri-La, como eu, vendo a paisagem envolvente, parece uma muito razoável aproximação. Olaré!...
E depois, foi e é ainda daqui que se extrai uma substãncia nobre, o incenso, também denominado de olíbano. Entre os anglo-saxónicos falantes, frankincense, mundialmente usado como essência na indústria da perfumaria. E que é retirado da goma ou resina de uma árvore quase arbusto, a Boswellia. Que foi na lenda uma das oferendas dos três Reis-Magos ao recém-nascido Jesus, o tão aguardado Messias, junto com o ouro e a mirra.
"E o povo, pá?"… O povo, ese é mais bravo do que do que os de Fafe, com quem ninguém fanfe! Andam sempre armados com a adaga omanita à cintura, no idioma local conhecida por Khanjar. Que é um símbolo nacional, presente no escudo desta secular nação. Mas se ninguém os chatear, até são pacholas e bem hospitaleiros, diz-se… e eu acredito.
Tá decidido! Quero ir p'ra lá!
sábado, 26 de janeiro de 2013
• Quero ir para a Antárctica!
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Panorama do horizonte que se pode disfrutar na estação polar McMurdo |
Num outro blog meu publiquei recentemente, assim de rajada, dois posts sobre o desapontamento - quer no meu pequeno país, quer em todo este mundo - com os tempos actuais que me vem assaltando. E foi assim que desceu em mim esta ideia peregrina de desejar ir fazer companhia a bandos de pinguins reais (Eudyptes schlegeli).
É que se a vidinha é chata por aqui e agora, tenho p'ra mim que há um bom remédio: a hibernação. E que melhor lugar para hibernar do que onde faz frio? Bué da cold, mesmo? Pois claro! A Antárctica é a solução.
Desde sempre quis um dia ser um turista naquelas paragens. E desde que sei que até já há uma gift shop na Estação Polar Amudsen-Scott, no pólo Sul geográfico - gerida, claro está, por esses capitalistas desses yankees - e que hoje é relativamente fácil aterrar lá. Isto, é bom de ver, numa pequena janela temporal de umas semanas do verão austral, da ordem da meia-dúzia apenas, provavelmente. Mas o que já permite que cerca de uma ou duas centenas de pessoas comuns possam todos os anos contar que um dia das suas vidas puseram lá os pézinhos.
Mas bem… É bom não fazer nada e só viver de passear por tudo o que é recanto singular deste mundo. Pena é que também se tenha de ganhar a vida, no caso de um tipo como eu. E esta premissa até pode não ser má de todo…
Como postos de trabalho são um bem que vai escassear cada vez mais no futuro próximo, e que as actividades humanas me parecem cada vez mais só nos proporcionarem lutar por desafios que nos darão - se chegarem a dar, ainda assim - vitórias sempre efémeras, tenho de me impôr o seguinte critério na escolha de uma nova aventura profissional: tem de valer mesmo a pena o sangue, o suor e as lágrimas que vou verter.
E quais são esses desafios profissionais que são mais compensatórios, em termos de memórias vindouras de que nos podemos orgulhar? São, a meu ver, aqueles que se encaram como um sacerdócio.
E quais são os sacerdócios que um ateu como eu pode abraçar? Certamente não os que envolvem ter uma fé. Tem de ser, então, algo a ver com a Ciência.
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Sim, sim, o território da Antárctica também tem o seu estandartezinho! |
É uma ideia bem peregrina, certo. Mas não original. Já muitos seres humanos antes de mim a tiveram. E sobreviveram para contar aquelas alegrias e desventuras dos melhores períodos das suas existências aos seus netinhos. Se estes se dispuserem a largar as playstations por um quiquito, para ouvir com alguma atenção as tretas do kota do avô...
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Mapa da próxima aventura onírica pietriniana |
E se alguém me disser que isto é muito louco, retorquirei com o convite para zarpar daqui comigo para lá. Afinal, cá já não há lugar para um cada vez maior número de nosotros. Sobretudo para aqueles que ainda se atrevem a querer sonhar...
sábado, 22 de dezembro de 2012
• Uma wish list meio metida a martelo
No outro dia, a minha filhota confidenciou-me que já não tem desejo de grande coisa neste Natal. Ou por outras palavras, que já não sabia o que desejar. E nós até nem somos abastados, bem longe disso...
Mas a verdade é que, de facto, não parecemos estar a precisar de quase nada. Ou então isso é um efeito secundário dessa reles crise económica que p'rái inventaram, em má hora. Andam tanto a encher-nos os ouvidos e a paciência com a lenga-lenga de que andávamos todos a gastar demais que agora…
Agora relativizamos tudo. E concluimos que afinal não precisamos de 3 ou 4 écrans LCD pela casa toda. Nem de um número de telefone móvel de cada um dos operadores maiores. Nem de tanto produto alimentar que depois deitamos fora sem consumir até ao fim. Nem de ir tanta vez jantar fora em restaurantes que servem cada vez mais mixurucamente iguarias que já não sabem como antigamente. Nem de viajar para locais turísticos para onde toda a gente vai ao mesmo tempo que nós e enche aquilo tudo de multidões que já não se aguenta. E etc…
Enfim… Este clima económico em baixo ciclo está a matar o sonho que comanda a vida. Vamos dispensar o Pai Natal desta vez. Este ano não há encomendas, obrigadinha!…
Maaasss… Contra a corrente do jogo, vou divulgar aqui uma lista de desejos, já em forma de short list, só com dois artigos. Ambos raros e magníficos exemplares de veículos automóveis.
Apesar de já me ter habituado a não depender muito de ter um pópó, ainda gostaria de ter uma garage para arrecadar estes dois que vou dizer a seguir. Ou tão-só apenas um deles. Que são, então: um belíssimo e exclusivo Pagani Zonda tricolore ou… um jeitoso e minimalista Citroën Méhari Azur. Tal como os que são mostrados nas fotos deste fajuto post natalício.
Gostos bem antagónicos e ambos nada práticos para uma utilização diária e citadina. Mas eu também nunca disse a ninguém que era uma pessoa lógica. E prontes, isto é só mesmo umas pequenitas dumas futilidades minhas! Passo bem sem ter estes carritos.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
• A Unicef
Este ano vou ter um Natal bem diferente dos meus anteriores.
Graças à tão apregoada crise económica e social, a uma situação pessoal no plano profissional periclitante (para dizer o mínimo), a uma descrença enorme no amanhã, a uma falta de sólidos objectivos pelos quais valha a pena lutar hoje em dia, e a uma razoável quantidade de tempo livre, entretanto disponibilizado por todos estes factores anteriormente mencionados…
…decidi abraçar uma causa das mais válidas e nobres. A da Unicef. A do futuro das crianças que ainda não têm o seu futuro inteiramente assegurado. A do futuro a que todas deveriam ter direito, como as restantes crianças deste mundo de todos nós.
A Unicef, para quem anda muito distraído, é o Fundo das Nações Unidas para a Infância (em inglês, United Nations Children's Fund).
Costuma-se dizer que há males que vêm por bem, não é mesmo?...
Em boa hora surgiu-me a oportunidade de participar com o meu tempo na campanha de Natal do Comité Português para a Unicef. E aí estou eu, no terreno, em contacto com o público nos stands que a Unicef Portugal tem instalados em algumas superfícies comerciais de maior dimensão nas grandes Lisboa e Porto, graças á boa vontade das entidades detentoras desses espaços.
A quem desejar receber de viva voz os votos de um Feliz Natal do autor deste blog e o seu abraço, poderão encontrar-me no IKEA de Alfragide, entre as 14h e as 23h, da próxima sexta-feira, dia 16 de Novembro em diante até dia 24 de Dezembro. Com alguns dias de intervalo em que descansarei, tal como o Criador também o fez ao sétimo dia.
Se alguém houver que não possa, em outros locais, para além do meu estaminé no IKEA, poderá encontrar também a presença de outros como eu, que de uma forma algo voluntariosa estarão ao dispor de todos os que de nós se aproximarem para recordar o que é a Unicef e de como a sua missão neste mundo continua a ser necessária. Ou então vejam um pequeno video, clicando aqui.
E ainda a quem for interessante fazer do seu um Natal diferente este ano, tal como eu, e para além de querer quando for dar um presente aos seus filhos e netos fazer também com que outras crianças tenham esse futuro que é a missão da Unicef, mas não haja um dos nossos stands perto de si… é só clicar aqui, para aceder à loja online.
Aqui fica feita assim a modesta contribuição deste blog para que o mundo seja melhor amanhã, para quem ainda menos que nós, portugueses, pode ter hoje esperança nele. Digo nele, o que pode ser interpretado como ele, mundo ou como ele, o amanhã. É ao vosso critério e boa vontade, queridos leitores.
A Unicef, para quem anda muito distraído, é o Fundo das Nações Unidas para a Infância (em inglês, United Nations Children's Fund).
Fica feito o convite.
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"Do not ignore me", o tema deste cartaz da Unicef na China. |
terça-feira, 23 de outubro de 2012
• Uma pedra mais para o meu castelo - IV
Uma pedra mais para o meu castelo… Pois é! Hoje a ideia que aqui vai ser deixada expressa será assaz monolítica.
O meu château pode até vir a ser uma modesta casa rústica, afinal. Terá é à viva força de ser feito(a) de… pedra.
Aceitam-se propostas e sugestões de quem conheça algum monte de pedras graníticas, preferencialmente. Nem que estejam em ruínas. Desde que se possam transformar no ninho mais acolhedor para um doido como eu virar eremita bastará. Então depois continuarei dentro de suas paredes grossas a escrever neste blog minhas muito vãs impressões sobre este mundo, do qual me sentirei resguardado.
Aceitam-se propostas e sugestões de quem conheça algum monte de pedras graníticas, preferencialmente. Nem que estejam em ruínas. Desde que se possam transformar no ninho mais acolhedor para um doido como eu virar eremita bastará. Então depois continuarei dentro de suas paredes grossas a escrever neste blog minhas muito vãs impressões sobre este mundo, do qual me sentirei resguardado.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
• Vale do Rio Hotel Rural
Hoje venho chamar a atenção dos escassos leitores deste blog para algo que descobri por acaso, efectuando algumas pesquisas sobre empresas nos concelhos de Oliveira de Azeméis, São João da Madeira, Santa Maria da Feira, Vale de Cambra ou Arouca. É que… ando a cultivar a ideia peregrina de me radicar por aquelas paragens.
Falo do magnífico Vale do Rio Hotel Rural, em Palmaz, prazeirosa localidade do município de Oliveira de Azeméis, nas margens bucólicas do rio Caima.
Fiquei cativado por esta iniciativa empresarial local no sector do turismo. Por razões pessoais, sobretudo. Para além de um belo arranjo paisagístico e arquitectónico que presidiu á construção desta singular unidade hoteleira.
Citando o que vem referido no site do hotel, na informação institucional sobre a história deste empreendimento:
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Aspecto do canal que conduz a água dum açude do rio Caima até à mini-hídrica. |
Ora acontece que eu estive ligado á remodelação daquela mini-hídrica, inserida nos espaços verdes do hotel, entre os anos de 1992 a 1994, ao serviço duma firma de projectos de engenharia e para o cliente desta, a Fábrica de Papel do Caima, a proprietária anterior dos terrenos, entretanto desactivada. Nomeadamente, o projecto de remodelação da linha eléctrica de média tensão entre a mini-hídrica e a o posto de transformação da fábrica foi por mim apresentado à DGE, Direcção Geral de Energia.
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Aspecto da varanda do HC Restaurante |
Aspecto da piscina com cobertura amovível do Four Elements Spa |
Ambicioso, este projecto empresarial. É por isso, certamente, que ao Vale do Rio Hotel Rural foi atribuido o prémio de Melhor Ecoturismo 2012, por essa publicação que vem a ser o nosso Guia Michelin, o Guia Boa Cama Boa Mesa, do jornal Expresso.
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O núcleo principal do Vale do Rio Hotel Rural by night. |
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