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segunda-feira, 27 de agosto de 2018

• O que é isso de ter sucesso

É isto. Sem tirar nem pôr. Simples assim.

Já em tempos tinha postado algo sobre o sucesso neste blog. Não invalidando o que no passado foi aqui escrito, onde se considerava o sucesso como um efeito colateral, creio que agora também se pode almejar o sucesso como um objectivo.

É só uma questão de cada um de nós conferir a sua personal checklist para o obter.

Quanto a mim, há uma certa margem de progressão no “where”. 

E embora não me podendo queixar do “with who”, onde tenho sido feliz, podia sempre melhorar ainda mais.

E no “with who” também há a dizer que este factor poderá condicionar o “what”. Se se descobrir um “labour of love”, no sentido que esta expressão pode ter de “work done for the benefit of someone you love”.

Não haverá nada melhor do que esta feliz conjuntura: encontrar alguém a quem amamos e que nos ama de volta, juntar as forças e os intelectos de ambos e lutar abnegadamente pelo sucesso ambicionado por esse alguém.

Eu hoje consigo ver esta incontornável verdade. Clarissimamente.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

• Tem de haver outra saída…

"A 'why' is a dangerous thing... It challenges old,
comfortable ways, forces people to think about that they do
nstead of just mindlessly doing it. (Haplo)...
I think the danger is not so much in asking the 'why' as in
believing you have come up with the only answer. (Alfred)"
 - Margaret Weis

É só uma cenoura. Ao fim do dia, se chegares onde eles querem que tu chegues, talvez eles a dêem a ti. Amanhã, se eles precisarem de ti de novo ou se foste até bem longe hoje, hão-de colocar outra cenoura à frente dos teus olhos.

Talvez devesses, no entanto, parar para pensar um pouco…

Porque raio queres afinal a cenoura? Vale assim tanto a pena? Andares atrás dessa cenoura não será que te distrai de outros objectivos que também, sobretudo ou ao invés deverias antes perseguir? É mesmo isto que queres para ti?

Vem esta minha filosofia de vão de escada que me assalta neste momento o meu pensamento a propósito disto... 

Quando a vida me apresenta aquelas modernas formas de ganhar dinheiro - o dinheiro que é inevitavelmente necessário para sustentar essa mesma vida - que andam desgraçadamente tão em voga hoje em dia, regra geral eu penso que… 

Tem forçosamente de haver outras formas melhores de se ganhar a vida. Tem mesmo de haver!… Senão, estamos todos perdidos.

Bom, isto pode ser um problema só meu... Mas há certas cenouras que comigo não funcionam. Não me fazem mover. Não os músculos mas os neurónios sim. Isto fazendo fé que estes últimos ainda se vão estrebuchando de quando em vez, claro...

E no entanto são tão atraentes para tantos outros seres humanos. Até para aqueles cuja inteligência prezo. Que vão sendo cada vez mais raros. Lá está, é um problema exclusivamente cá do rapaz, sem dúvida... Passe o sarcasmo.  ;-)


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

• Viajar na mayonnaise

Expus uma ideia que foi qualificada para os concursos de empreendedorismo da Acredita Portugal*. O que me deixou deveras contente e, a princípio, inchado de orgulho…

Mas reconheço hoje que esta não é, nunca foi uma ideia empreendedora. É mais do domínio dos sonhos. Um puro desvario. Não é enquadrável. Não é quantificável. Não é classificável. Até nem será exequível, porventura. Não é de todo sustentável. É uma ida à lua. É algo ainda não tentado. Vou procurar o meu caminho noutras paragens.

Pela parte da Acredita Portugal sou incentivado a criar um plano de negócios. E em lugar de pensar em números, eu parto é para “viajar na mayonnaise”. A alargar os limites do sonho para mais além. E a perceber que a minha ideia é mais o argumento de um filme. Só num filme - que já comecei a visualizar - eu poderei conseguir comunicá-la com eficácia. A ver vamos...

Como é que Steve Jobs, Cristoforo Colombo ou Leonardo da Vinci fariam para expôr as suas ideias?... É sobre isto que tenho de reflectir.

A descrição primária da minha ideia inovadora pode ser lida num anterior post deste blog, clicando aqui.

No acto de inscrição aos concursos de empreendedorismo da Acredita Portugal mencionei que outras ideias mais recentes tenho a germinar neste momento, na área da animação turística para turistas visitantes de topo e actividades de lazer e desporto para todos. Mas sempre, sempre peregrinas… E daí, talvez não.
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* Na sua Identidade Institucional, a Acredita Portugal diz ser (sic) “uma organização sem fins lucrativos focada no desenvolvimento e promoção do empreendedorismo nacional”. Creio que os casos de sucesso que esta organização enumera no seu website falam por si. Tem de ser possível fazer melhor. Mas talvez só com abordagens não tão técnicas e mais ousadamente visionárias.

Ter visão é algo que não se ensina. Antes se educa. Mas não em cursos superiores de gestão.

sábado, 23 de novembro de 2013

• Da avidez do sucesso

"Não procurem o sucesso.
Quanto mais o procurarem e o transformarem num alvo,
mais vão errar. Porque o sucesso, como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de uma dedicação pessoal a uma causa maior que a pessoa,
ou como subproduto da rendição pessoal a outro ser." 
 - Viktor Frankl

O sucesso entendido como efeito colateral e não como um fim. Uma causa maior que o bem-estar indivídual, que o ego que anseia ser nutrido. Porque há coisas mais importantes que o sucesso. Porque a vida é para ser saboreada lentamente e não para ser sorvida a correr.

Porque o sucesso é sempre efémero.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

• Time Management

…ou Gestão do Tempo, em dialecto tuga. Uma coisa que eu abomino.

A Gestão do Tempo, quanto a mim, é uma bonita ferramenta que os modernos métodos da Gestão de Empresas desenvolveram para solucionar um problema que esses mesmos engraçados métodos abestalhadamente criaram: a falta de tempo crónica.

Estes modernos métodos da Gestão de Empresas querem-nos tornar em indivíduos cada vez mais produtivos. Querem tornar as nossas existências em carne para canhão ao serviço do deus lucro máximo.

E assim fazem do nosso tempo, do precioso tempo de cada um de nós, um bem cada vez menos nosso e mais escasso. E como tempo é dinheiro, o efeito colateral, que nem todos enxergam, é que de facto nos torna mais... pobres.

A Gestão do Tempo devia ter um único axioma: “Se cada vez tens menos e menos tempo ou não tens mesmo tempo para nada, pára!”.

Tão simples quanto isto! Se não tens tempo para nada, não estás a viver. Estás a correr depressa para o teu fim. Para a morte que há-de advir a cada um de nós, mais tarde ou mais cedo. Não a apresses.

Fui submetido recentemente a uma acção de formação sobre esta temática, a Gestão do Tempo… e enquanto a magnífica formadora “ligava o complicador” para nos instruir em como gerir com melhor eficácia e maior produtividade o nosso tempo, não deixou de partilhar connosco, seus ilustres e ávidos formandos, a sua visão particular da coisa. A que aplicou à sua vida profissional e privada.

E que foi assim: quando reconheceu, e bem, que tinha cada vez menos tempo para dedicar ao que é o essencial - o seu filhote de tenra idade - resolveu propor uma medida sacrílega à sua entidade patronal. Passar a trabalhar em part-time.

Graças aos deuses que não teve as suas aspirações goradas…

Mais ainda partilhou connosco. Que passava os seus fins-de-semana no belo do Alentejo e os dias úteis na grande metrópole de Lisboa. E que se sentia cada vez mais presa e com menos vontade de sair do meio das planícies para ter de enfrentar as sete colinas da vida. Ao que eu ripostei que a compreendia bem. Porque se há quem possa ser um bom gestor do tempo, esse alguém é o alentejano!…

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

• Foi há 12 anos...

Já decorreu este tempo todo… Desde que as vidas de todos nós sofreram este abalo sísmico que foi o 11 de Setembro de 2001.

Julgo que poucos seres neste mundo não terão sido afectados, de uma forma ou de outra, por este acontecimento. Mesmo aqueles que vivem no mais recôndito canto desta terra.

Eu estava no meu lunch break, já depois de ter engolido a sandocha da praxe, quando me vieram dizer que tinha havido um embate de um avião num arranha-céus de New York. E que estava a dar na tv.

Fui ver. Lembrei-me de uma foto famosa de outro embate de um avião no Empire State building, nos anos 50. Pensei que era só um remake da mesma desgraça… Mas depois vieram avisar-me de que tinha havido um segundo embate! E é então que a coisa começou a cheirar a esturro… Como eu já contei mais em detalhe num post de um outro blog meu, quando isto fazia uma década.

Eu trabalhava na altura no estúdio gráfico de uma agência de publicidade de renome mundial, a Saatchi & Saatchi, em Lisboa. Que fazia parte de uma rede mundial de escritórios com sede em New York, justamente. Como quase todas as grandes agências de publicidade de nível planetário.

Duas semanas apenas depois do 11 de Setembro, o conselho de administração da Saatchi, lá nos States, decidiu fechar um bom número de escritórios da sua rede… e a fava calhou-nos a nós, lisboetas, tal como a outros, em cidades europeias como Milano.

Desde então e até hoje, nunca mais tive uma carreira profissional de que me possa orgulhar com galhardia. Nunca mais tive um emprego de jeito, para ser absolutamente claro. E passei por dois longos períodos de desemprego. O último dos quais ainda dura… E dura... E dura...

Pouco mais de dois meses depois do 9/11 teve início na minha vida uma relação sentimental que iria durar nove anos. Mas da qual hoje em dia tenho de apagar suas memórias. Como se nunca tivesse tido lugar essa ligação amorosa. Talvez assim tivesse sido pelo melhor… 

E como toquei nos planos profissional e sentimental, é forçoso que siga o que é costumeiro e fale também do plano da saúde…

Aí estou mais velho. Com menos energia do que há 12 anos. Como seria de esperar. Mas de resto não me posso queixar grandemente de nada. Não serei rijo como um cepo, mas… Dou p'ró gasto. Ainda. Ao menos isso, carago…

Estou a fazer como que um balanço da minha situação pessoal actual neste post. Mas não quero esquecer o mundo que me rodeia.

Numa linha, parece-me que os Estados Unidos - a superpotência mundial que foi o alvo deste atentado - andaram entretidos em conflitos que criaram nesta dúzia de anos. Descuraram também tomar o pulso da sua economia. E com isso terão contaminado os países ocidentais que fazem parte da sua órbita mais próxima.

A crise económica global que atravessamos hoje não é de todo alheia ainda a esta porra do 11 de Setembro. Mas enquanto uns se distraiam em guerras e bolhas nos mercados imobiliários e financeiros, outros foram fazendo o seu caminho até ao topo do domínio da economia global. Como a China é o melhor exemplo dessa longa marcha com pézinhos de lã.

Se não os podes bater, junta-te a eles. Está-me cá a parecer que para quem tem ideias como as que habitam a minha mente, um bom habitat para estas se tornarem um pouco menos peregrinas será o velho Império do Meio.

Afinal, o que é a Grande Muralha da China senão uma das maiores ideias peregrinas alguma vez nascidas do génio humano?...


terça-feira, 30 de abril de 2013

• A vida

E é isto!… Não há muito mais que valha a pena acrescentar a este longo arrazoado de verdades de La Palisse.

Só me falta cumprir uma coisita, que é viajar muito pelo mundo real. Porque pelo virtual já fui até aos confins do Pólo Sul. E este blog já me proporcionou sonhar bastante. Mas ainda estou em bom tempo para aumentar um pouco mais a parada onírica.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

• Dia das verdades

Hoje, dia 1 de Abril, ocorreu-me esta repentina ideia peregrina, que vou passar a contar…

E que tal se houvesse, para além do dia das mentiras - ou até em seu lugar, porque não? -, um dia das verdades?…

É que, convenhamos… Dizer uma peta é demasiado fácil. O que era de homem era ter tomates para dizer aquelas verdades. Tipo:
  • Yah, tás gorda. Mas também, é só um kilinho, caramba…
  • O quê, vocês acreditaram quando nós dissémos que aquilo que se passou no Chipre não vai acontecer em outros países europeus? Pobres ingénuos…
  • Empresta-me aí algum guito, mas olha que não tenho intenção de devolver-te, ok?…
  • Chefe, você é mesmo um g'anda filho da mãe!!! Oh, que porra, mas porque é que nunca mais me sai o EuroMilhões?…
  • Nunca gostei dessa tua mania de esgravatares a manteiga para a barrar no pão. Eu deixo sempre a superfície lisinha…
  • Sim, fiz batota, sim! E depois?… 
…e etc. Isto é que seria um dia de festa de arromba! É claro que haveria à mistura, com toda a certeza, algumas clivagens... Divórcios, zaragatas, amizades terminadas, amuos, olhos negros e outras mais desgraças por aí fora. Ia-se estragar muita coisa... Mas cumprir-se-ia a bela da teoria da evolução de Darwin. Só aquilo que é mais forte é que sobrevive para perpetuar a espécie.

Vamos pensar nesta proposta com carinho, shall we?… 

sexta-feira, 29 de março de 2013

• Acreditar

E a época do ano que atravessamos presentemente, a Páscoa dos cristãos, é um tempo propício a renovações...

Fear not to fail, folks! Ever. Life is a never ending learning process.

Não temais levar as vossas ideias peregrinas avante, ó gentes! Uma bonita senhora, que se dizia militante do empreendedorismo partilhou com uma assembleia em que eu me inseri, que em Silicon Valley ela aprendeu que só ao fim de criar a sétima empresa própria é que se tem sucesso. Isto em termos médios, como é bom de ver.

Pelo meu lado, eu já estou é farto de falar apostas sozinho. Digo apostas na minha carreira profissional, não em dar vida a projectos pessoais como os que vão sendo descritos neste blog que criei. Que é talvez a mãe de todos esse projectos.

Este blog nasceu para ver se eu encontraria os meus pares. Aqueles que também têm ideias peregrinas.

quarta-feira, 27 de março de 2013

• São os loucos de Lisboa*

E se é assim, vou trilhando por bom caminho. Porque loucura não se vislumbra estar em falta por aqui. Vamos a ver se há alguma dose de necessária razão, também… 

Isto aqui é tudo só ideias peregrinas. Mas depois, no fim de contas, que boas ideias é que podem florescer quando este barco que é o mundo de hoje está a meter água?…
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* Alusão ao tema "Loucos de Lisboa" dos Ala dos Namorados, banda sonora oficial (ost) deste post, que pode ser escutada clicando aqui. Sempre achei uma certa piada condescendente com o ser rotulado de louco, devido a essa característica pessoal sobre a qual não podia ter dominio: o local onde nasci. É caso para dizer, má sorte ter sido olissiponense. Ou talvez não…

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

• Nouveau échec

Torre Oriente do C. C. Colombo, seis e meia da madrugada de um dia dito útil qualquer, das últimas três semanas nesta triste Lisboa do meu quotidiano viver.

Chego cedo ao meu novo local de trabalho. Numa corporação que é um gigante da informática japonesa. Que tem como um dos seus clientes outro grupo empresarial, que é uma das maiores gasolineiras francesas. Se não mesmo a maior de todas. Grupo qual eu devo servir, em nome de quem me paga, a tal entidade "big in Japan". E no mundo inteiro para onde se expandiu. Como a minha cidade natal.

Olho em contra-picado a fachada iluminada da imponente Torre, dando esta já claros sinais de actividade laboral intensa em alguns - não exactamente todos - dos seus pisos. Enquanto mais alguns ainda dormentes transeuntes se vão aproximando do seu vasto hall de entrada de um perfeito chão de mármore, para iniciarem as suas duras jornadas de trabalho.

Digo para mim que muitas horas de tantas existências individuais são imoladas ali naquele edifício pelo fogo de uma imaginária fogueira a que comunmente designamos de produtividade. Valor esse que quem está por dentro, como eu, sabe ser em bastas situações tão vão.

Falhei, mais uma vez este ano, em coadunar-me com as exigências dessa dita produtividade. Que raia o irracional, por vezes, a meu ver. Mas quem sou eu? Apenas mais um zé-ninguém que deve ter nascido na época errada da história da nossa humanidade. Talvez tal como o nosso bom Paul Lafargue...

domingo, 22 de agosto de 2010

• Um ano...


Faz hoje um ano que tomei a tardia resolução de criar um blog.

Já me sentia meio info-excluido por não ter uma coisa destas. Todo o bicho careta tem e eu a vê-los passar...

Também estava alojada em mim a mesma presunção dos demais, a de que têm algo para contar ao mundo, arrancado down the memory lane das nossas singulares pequenas existências. Somada a outra, a de que julgo saber escrever de forma a cativar o incauto leitor que por aqui possa desaguar, de quando em vez.

Só me faltava a força de vontade para vencer a inércia. Isso e a essência, o fio condutor que seria comum a tudo a que aqui viesse a ser postado. O tema, enfim, a razão de ser que justificasse que mais um blog aparecesse. E que não fosse apenas mais um blog entre tantos outros que o antecederam.

A reflexão que conduzi há um ano atrás levou-me a produzir as seguintes considerações:
  • Todos nós, seres humanos racionais, possuimos a capacidade de ter visões ou ideais.
  • Alguns de nós, menos do que os anteriores, conseguem reflectir sobre esses ideais conscientemente.
  • Alguns de nós, menos do que os anteriores, conseguem expressá-los convenientemente.
  • Alguns de nós, menos do que os anteriores, conseguem passar essas expressões para a forma escrita adequadamente.
  • Alguns de nós, menos do que os anteriores, conseguem fazer com que essas expressões escritas se tornem interessantes para os outros seres humanos.
  • Alguns de nós, menos do que os anteriores, conseguem fazer com que essas expressões escritas interessantes sejam publicadas em suporte papel*.
  • Alguns de nós, menos do que os anteriores, conseguem fazer por fim com que essas publicações dos seus ideais ganhem a eternidade.
E eu pergunto: quantos seres humanos, tais como eu e vós, caros leitores, não terão vivido e morrido, levando consigo para a cova tantas e tantas visões ou ideais que tinham um potencial interessante, que podiam ter alcançado esse estatuto de coisa eterna, e que, por inépcia, nunca chegaram a ser partilhados com os outros? Imensos, imagino eu... Tantas visões ou ideais que se perderam assim para sempre... O que não seria da humanidade hoje se essa inevitável perda não existisse...

Eu não sei ainda se aquilo que eu escrevo tem alguma valia.

Mas quero dar uma chance a mim de não ser perdido aquilo que eu penso e que posso e quero partilhar com o resto da humanidade.

As ideias que aqui deixo não serão concerteza todas concretizadas por mim sozinho. Nem Leonardo da Vinci conseguiu tal feito com as suas, quanto mais eu, que não tenho nem um décimo de seu engenho e empenho. Sin embargo, estas minhas ideias vão continuar a quedar-se aqui, á mercê de quem lhes possa dar uma vida para além deste blog.

* Aqui na blogosfera é ao contrário: primeiro os ideiais de cada um aparecem publicados - graças a esse poder de expressão que a internet nos deu a todos - e depois é que o resto de todos nós os julgam interessantes ou não. Viva a internet...

quarta-feira, 30 de junho de 2010

• O Saramago

José Saramago parou de escrever*.

E a pergunta mais importante que nos deviamos todos pôr a nós próprios, portugueses e cidadãos do mundo, depois deste acontecimento é: e agora?

Sim, e agora? Quem é que vai escrever no lugar dele, como ele o fazia?

E sobretudo quem vai levantar lebres como ele tinha o consanguíneo deleite em fazê-lo para abalar as nossas adormecidas consciências? Quem nos vai sacudir para nos acordar? Quem nos vai avisar que andamos cegos?

Será que esse alguém já nasceu? De novo na Azinhaga da Golegã, entre os que o conheceram de forma mais próxima? Ou noutra azinhaga qualquer deste vasto Portugalito?

É que Saramago faz-nos falta. É desígnio urgente que uma voz da alma como a que ele tinha volte a falar. Necessitamos de novo de quem nos faça pensar. De quem debite pensamentos diferentes. Mesmo que estes sejam ideias peregrinas, como aquela que um dia Saramago teve de promover o voto em branco.

Ideia esta que até não me desagradaria num futuro próximo. Pois sou candidato à Presidência da República e "Branco" é o meu nome do meio.

Bem, não sei se tenho valia para pegar no testenunho que ele estende desde o além em que agora caminha com a espinha direita, como sempre o fez. Mas alguém tem de pegar nesse ferro e continuar a corrida. Já que eu me creio prenhe de outras ideias peregrinas, ou não tivesse fundado este blog...

Não quero pecar por imodéstia. Não vou proclamar já que sou eu essa voz que urge retomar presença. E antes do mais, vou ver se começo a ler o meu primeiro "Saramago", que ainda não li nenhum. Encetarei, talvez, pelo "Ensaio sobre a Cegueira", que uma alma forasteira um dia me recomendou. Assim que termine a leitura de "Eu, Buddha", de José Frèches.

* José Saramago parou de escrever tão só. Parar de existir tornou-se uma impossibilidade depois de ter deixado o que o deixou escrito. 

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

• Call centers

Gosto de comparar os call centers dos nossos dias às galés dos tempos do Império Romano.

Nesses antigos vasos de guerra o trabalho humano executado pelos remadores, a principal força motriz do navio, era intenso. Hoje em dia os operadores de call centers também trabalham a toque de caixa. No sentido em que em ambos os ambientes laborais não há lugar a períodos de descanso em situações de picos de trabalho.

Esta será uma semelhança entre estes dois tipos de actividade laboral. O que as diferencia é a natureza do trabalho humano. Nas galés o trabalho era braçal, físico. Nos call centers o trabalho é intelectual. Não faz mais apelo aos músculos e à força física do trabalhador mas antes ao seu cérebro e às suas competências mentais.

O trabalho físico duro e intenso das galés é hoje considerado desumano. Hoje os homens recorrem a maquinaria que inventaram para suprir ou aumentar as suas força e resistência físicas. Hoje no lugar dos remadores, se necessário fosse, existiriam robots.

O trabalho intelectual duro e intenso dos call centers será no futuro também considerado desumano. E espero que num futuro não tão distante como estamos hoje do domínio do Mediterrâneo que os Romanos instituiram no seu tempo.

Mas até lá, os humanos que são hoje operadores de call centers ainda vão ter muito que penar. Porque a moda em termos históricos é recente.

Voltarei a este tema mais tarde. Mas por agora aqui deixo este pensamento: um dia havemos de atingir essa Idade da nossa civilização em que os call centers só terão autómatos. Porque humanos não terão mais de trabalhar nas condições desumanas actuais.