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| Panorama do horizonte que se pode disfrutar na estação polar McMurdo |
Num outro blog meu publiquei recentemente, assim de rajada, dois posts sobre o desapontamento - quer no meu pequeno país, quer em todo este mundo - com os tempos actuais que me vem assaltando. E foi assim que desceu em mim esta ideia peregrina de desejar ir fazer companhia a bandos de pinguins reais (Eudyptes schlegeli).
É que se a vidinha é chata por aqui e agora, tenho p'ra mim que há um bom remédio: a hibernação. E que melhor lugar para hibernar do que onde faz frio? Bué da cold, mesmo? Pois claro! A Antárctica é a solução.
Desde sempre quis um dia ser um turista naquelas paragens. E desde que sei que até já há uma gift shop na Estação Polar Amudsen-Scott, no pólo Sul geográfico - gerida, claro está, por esses capitalistas desses yankees - e que hoje é relativamente fácil aterrar lá. Isto, é bom de ver, numa pequena janela temporal de umas semanas do verão austral, da ordem da meia-dúzia apenas, provavelmente. Mas o que já permite que cerca de uma ou duas centenas de pessoas comuns possam todos os anos contar que um dia das suas vidas puseram lá os pézinhos.
Mas bem… É bom não fazer nada e só viver de passear por tudo o que é recanto singular deste mundo. Pena é que também se tenha de ganhar a vida, no caso de um tipo como eu. E esta premissa até pode não ser má de todo…
Como postos de trabalho são um bem que vai escassear cada vez mais no futuro próximo, e que as actividades humanas me parecem cada vez mais só nos proporcionarem lutar por desafios que nos darão - se chegarem a dar, ainda assim - vitórias sempre efémeras, tenho de me impôr o seguinte critério na escolha de uma nova aventura profissional: tem de valer mesmo a pena o sangue, o suor e as lágrimas que vou verter.
E quais são esses desafios profissionais que são mais compensatórios, em termos de memórias vindouras de que nos podemos orgulhar? São, a meu ver, aqueles que se encaram como um sacerdócio.
E quais são os sacerdócios que um ateu como eu pode abraçar? Certamente não os que envolvem ter uma fé. Tem de ser, então, algo a ver com a Ciência.
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| Sim, sim, o território da Antárctica também tem o seu estandartezinho! |
É uma ideia bem peregrina, certo. Mas não original. Já muitos seres humanos antes de mim a tiveram. E sobreviveram para contar aquelas alegrias e desventuras dos melhores períodos das suas existências aos seus netinhos. Se estes se dispuserem a largar as playstations por um quiquito, para ouvir com alguma atenção as tretas do kota do avô...
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| Mapa da próxima aventura onírica pietriniana |
E se alguém me disser que isto é muito louco, retorquirei com o convite para zarpar daqui comigo para lá. Afinal, cá já não há lugar para um cada vez maior número de nosotros. Sobretudo para aqueles que ainda se atrevem a querer sonhar...


























































