terça-feira, 10 de maio de 2011
sexta-feira, 29 de abril de 2011
• "Another Earth" - o filme
Absolutamente a não perder, de forma alguma...
Palpita-me que este filme, quando estrear em fins de Julho próximo, vai entrar direitinho para a galeria dos meus preferidos de todos os tempos. Em beleza!...
Para uma curta sinopse: imaginemos que dum dia para o outro surge no céu ao lado da familiar Lua um outro planeta maior. E que esse planeta é uma réplica perfeita da nossa Terra. E que, além disso, se especula que nele vivem cópias de cada um de nós. Que existe um outro eu para todos nós lá...
O confronto súbito com uma realidade destas deve ser um safanão maior ainda do que a leitura de "O livro do desassossego", de Fernando Pessoa. Um autêntico murro no estomâgo.
E nem sei o que dizer mais dos sites e dos cartazes de promoção deste filme... a sua imaculada qualidade foi o que primeiro atraiu magicamente a minha atenção. Fotografia belíssima!...
E nem sei o que dizer mais dos sites e dos cartazes de promoção deste filme... a sua imaculada qualidade foi o que primeiro atraiu magicamente a minha atenção. Fotografia belíssima!...
Para ver o Trailer podem ir a estes links:
Para fazer o download do trailer na máxima qualidade, em formato HD 1080p, clicar aqui.
domingo, 24 de abril de 2011
• Un bref interlude...
...dans le fil conducteur des sujets exposés sur ce blog que je vais me permettre ce jour-là. Y a un peu de chagrin habitant dans moi, ce gris dimanche de Pâques. Mais, pour remonter, ça me suffit de ne pas rester aveugle à la beauté.
domingo, 10 de abril de 2011
• In vino veritas
Desde há cerca de um mês, mais ou menos depois do Dia Internacional da Mulher, que por uma questão sentimental tenho desenvolvido um interesse crescente pelo vinho.
Dito isto desta forma, poderá pensar-se que devido a um desgosto de amor tenho vindo a procurar afogar mágoas bebendo até "encher a cara".
Não é o caso. É antes um acontecimento feliz que me ocorreu, o encontro virtual com uma outra alma semelhante à minha, que de sopetão se tornou avassaladoramente importantíssima para mim. E não ando a beber vinho agora a torto e a direito, também não. É só mesmo interesse "científico".
Esta mão amiga de que falo aqui reside na mais importante região vinícola do seu país natal. O que me fez logo despertar a curiosidade para essa realidade socio-económica. E depois também me fez reparar neste artigo do site terra.com.br, com o título "As 10 melhores rotas do vinho pelo mundo".
Neste artigo não foram incluídas quaisquer rotas de vinhos de Portugal ou do Brasil. "Ferpeito", digo eu!...
Ignorar o país vinícola com a região demarcada mais antiga do mundo, o Douro, não está mal... Se fizessem uma lista das melhores marcas de automóveis do mundo, talvez também não incluissem nela a Rolls Royce... porque há automóveis e automóveis... e depois há os Rolls Royce.
Já uma vez notei também num número hors-série da revista GEO francesa sobre o tema dos vinhos do mundo o esquecimento do nosso país. Devem querer que permaneceramos um segredo bem guardado, só de alguns privilegiados...
Não querendo parecer que só estou a defender a minha "dama", faço notar que também não se menciona neste atigo do Terra a Hungria e o seu magnífico Tokaji, o vinho dos Reis e o Rei dos vinhos. E que deveriam dar algum foco aos vinhos da sua própria nação, que não devem nada aos dos outros países sul-americanos, pelo menos, se não mesmo a qualquer país, ponto final.
Hoje vou aqui mostrar querer mostrar justamente 4 casas vinícolas do Brasil e seus respectivos vinhos. Que me foram sugeridos por aquela que foi a responsável pelo meu súbito e acrescido interesse pelo vinho. Noutra altura mais tarde irei devolver-lhe aqui outras sugestões, dessa feita "caseiras".
Enceto logo por falar dum vinho luso-brasileiro, o Rio Sol, que foi uma descoberta minha do acaso, induzida pela curiosidade sobre pomadas tupiniquins.
Este vinho é produzido na região do vale de São Francisco, interior do estado de Pernambuco, pela sociedade portuguesa Dão Sul. Tem a particularidade de ser o vinho de difusão mundial produzido mais perto da linha do equador, no paralelo 8. No rótulo da garrafa, o logotipo Rio Sol quer fazer vincar bem essa característica, se se reparar com olhos de ver. A variedade aqui ao lado mostrada é a Rio Sol Winemakers Selection Alicante Bouschet.
Sempre me perguntei porque seria que, tendo os portugueses descoberto a Pindorama, nunca tivessem tido desde o início a vontade de aí plantar vinhedos. Parece que deixaram esse pioneirismo para os emigrantes transalpinos que demandaram em grandes vagas terras de Vera Cruz, primeiro sobretudo no estado de São Paulo, em finais do século XIX.
Os portugueses da Dão Sul parecem estar hoje a fazer uma história que deveria ter sido escrita há mais de 400 anos.
Os portugueses da Dão Sul parecem estar hoje a fazer uma história que deveria ter sido escrita há mais de 400 anos.
Prossigo agora para a presumívelmente mais antiga região vinicola do Brasil, a Serra Gaúcha, no estado do Rio Grande do Sul, e para a zona mais conceituada desta, entre as cidades de Bento Gonçalves e Garibaldi. Para apresentar a excelentíssima Casa Valduga, da "famiglia" do mesmo nome. No site deles, recomendo visitarem a Villa Valduga, complexo muito bem orientado para o enoturismo, com o site e as fotos desse complexo duma extrema qualidade e bom gosto.
Nada a dever aos yankees de Napa Valley. Muito temos todos a aprender com estes "paisanos". A variedade de vinho aqui mostrada é a curiosa Casa Valduga Mundus Portugal 2008.
E esta? Feliz acaso, revelada aqui mais uma inusitada ligação à Lusitânia. Obrigado, caríssima Edite Menegat, por mais isto.
A seguir vamos à casa Château Lacave, da simpática e nobre cidade de Caxias do Sul, proclamada a capital da uva e do vinho no Brasil. E também da região da Serra Gaúcha.
Mais um bom site duma casa vinícola, onde destacaria as fotos do excelente Salão das Bandeiras, espaço belíssimo dedicado a eventos de larga escala, para cerca de 250 comensais. A variedade de vinho aqui mostrada é a Anticuário Antigas Reservas Safra 2007, com a garrafa, por sinal, a fazer lembrar o nosso mundialmente conhecido Mateus Rosé.
Mais um bom site duma casa vinícola, onde destacaria as fotos do excelente Salão das Bandeiras, espaço belíssimo dedicado a eventos de larga escala, para cerca de 250 comensais. A variedade de vinho aqui mostrada é a Anticuário Antigas Reservas Safra 2007, com a garrafa, por sinal, a fazer lembrar o nosso mundialmente conhecido Mateus Rosé.
Por fim, a autenticidade, a genuina ruralidade da casa Boscato, vinhos finos, de Nova Pádua. A mais ligada à terra. A menos sofisticada. Mas não menos apelativa. No site destaco as fotos da adega, dos vinhedos e das paisagens locais ao nascer e pôr do sol. Desse Sol de que a uva depende tanto para a sua qualidade. A variedade de vinho aqui ilustrada é a Boscato Reserva Merlot 2005.
Julgo estar aqui feito um panorama razoável do que o Brasil tem a dar ao mundo do vinho. E que é pena que nós em Portugal não possamos disfrutar ainda de nada da produção destas casas, à excepção dos vimhos da Dão Sul.
E a ideia peregrina do dia é: e que tal haver quem se chegue à frente e comece a importar estes vinhos do Brasil? É capaz de haver aqui um nicho de mercado por explorar, não?
Para finalizar, como contraponto com o que do velho mundo nós, portugueses, podemos representar, ao lado deste novo mundo do Brasil aqui explanado, e também para exemplificar que ambos estes mundos têm a sua beleza própria e complementam-se, aqui fica o link para aceder á galeria de fotos da Quinta da Bacalhôa, em Vila Nogueira de Azeitão, península de Setúbal, Portugal.
E relembro o que a mim me ensinaram: a vida é demasiado curta para beber mau vinho.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
• Uma impressão a nascer
Ultimamente tenho tido a minha curiosidade muito orientada e sobressaltada para uma região do mundo que sempre foi uma das minhas preferidas: a parte austral do nosso país irmão.
Quando mais exploro a informação que a net nos disponibiliza hoje em dia e quanto mais descubro sobre este meu novo prometido Eldorado em textos e imagens... mais esta impressão se vai consolidando na minha mente:
Parece mesmo que o Criador quis um dia tardio, depois do mundo já ter sido concebido no seu atelier há largos séculos, redesenhar ali, a partir de um estirador com uma generosa folha em branco, a natureza autóctone, uma nova Europa em miniatura, em versão revista e melhorada da velha à escala real. Com uma atenção muito cuidada nos mais significativos detalhes.
segunda-feira, 28 de março de 2011
• Ventos de mudança
Há uma ideia peregrina a germinar em mim, que será a mãe de todas as outras ideias que doravante se segurão neste blog. E que é assim...
Apetece-me experimentar o que será sentir isto com a convicção que só a vivência quotidiana no território em questão nos pode dar.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
• Blues Jazz Fado
Como é que se poderá descrever esse dito projecto musical a que me referia no post anterior deste blog?...
Bom... Imaginem temas da música ligeira moderna, cantados em várias línguas, e interpretados por vozes a solo - uma voz diferente para cada tema - vozes essas recrutadas entre aqueles que usualmente actuam em Blues ou Jazz clubs.
Temas esses acompanhados pelas clássicas guitarra portuguesa e viola, a parte instrumental típica de um fadista. Pontualmente complementada num ou noutro tema por um contrabaixo ou piano. Sendo que o dueto de guitarra e de viola teriam intérpretes femininos, caso muito pouco comum nestes instrumentos e nas casas de fado, sobretudo quando simultâneo.
Um bom exemplo seria a estranha mas belíssima intérprete* de guitarra portuguesa ilustrada na foto em baixo:
...mas vá lá, sem o kitsch do traje típico minhoto, por favor.
E quais os temas que constituiriam o repertório deste novel projecto musical?
O primeiro que me vem à ideia é o "Ne me quitte pas", de jacques Brel. desde que o ouvi interpretado pelo Sting que esta "pancada" me sobreveio nos neurónios. Segundo, o "Yesterday" dos Beatles. Que eu costumava tanto parodiar, por acaso. Depois, o "In ogni senzo" de Eros Ramazzotti. O poema de Vinicius de Moraes, "Rosa de Hiroshima", tal como cantado pelo Ney Matogrosso. E daqui destes exemplos até ao "Nothing else matters" dos Metallica, nothing is impossible. Pode tudo caber pelo meio. Aliás, em relação a este último exemplo, ouçam os acordes iniciais e digam lá se aquilo não podia bem ser uma guitarra portuguesa a tocá-los...
Cena muito marada, esta que aqui exponho? Hellooooo!... Reparem no cabeçalho do blog que estão a ler agorinha mesmo.
Uma forte adulteração da canção nacional, demasiada para ser cantada em casas típicas de fado? Não seja por isso; há outros palcos, inclusivé fora de Portugal, aos quais, creio, este projecto, quiçá inovador, poderá interessar.
Se algum produtor ou editora de música me adoptar esta ideia peregrina, eu quedar-me-ei contente dessa apropriação. Só teria um desejo a pedir a quem isso fizesse: é que se equacionasse a possibilidade de eu ser o cantor-intérprete do tema "Ne me quitte pas". É que me encantaria dedicar um dia uma eventual actuação minha deste em palco a alguém especial. Porque por esse alguém esta ideia nasceu.
* Apresento-vos a cidadã brasileira do estado do Rio Grande do Sul, Paola Magalhães dos Santos. Uma personagem muito interessante deste vasto mundo, da qual poderão obter mais info clicando aqui.
Bom... Imaginem temas da música ligeira moderna, cantados em várias línguas, e interpretados por vozes a solo - uma voz diferente para cada tema - vozes essas recrutadas entre aqueles que usualmente actuam em Blues ou Jazz clubs.
Temas esses acompanhados pelas clássicas guitarra portuguesa e viola, a parte instrumental típica de um fadista. Pontualmente complementada num ou noutro tema por um contrabaixo ou piano. Sendo que o dueto de guitarra e de viola teriam intérpretes femininos, caso muito pouco comum nestes instrumentos e nas casas de fado, sobretudo quando simultâneo.
Um bom exemplo seria a estranha mas belíssima intérprete* de guitarra portuguesa ilustrada na foto em baixo:

E quais os temas que constituiriam o repertório deste novel projecto musical?
O primeiro que me vem à ideia é o "Ne me quitte pas", de jacques Brel. desde que o ouvi interpretado pelo Sting que esta "pancada" me sobreveio nos neurónios. Segundo, o "Yesterday" dos Beatles. Que eu costumava tanto parodiar, por acaso. Depois, o "In ogni senzo" de Eros Ramazzotti. O poema de Vinicius de Moraes, "Rosa de Hiroshima", tal como cantado pelo Ney Matogrosso. E daqui destes exemplos até ao "Nothing else matters" dos Metallica, nothing is impossible. Pode tudo caber pelo meio. Aliás, em relação a este último exemplo, ouçam os acordes iniciais e digam lá se aquilo não podia bem ser uma guitarra portuguesa a tocá-los...
Cena muito marada, esta que aqui exponho? Hellooooo!... Reparem no cabeçalho do blog que estão a ler agorinha mesmo.
Uma forte adulteração da canção nacional, demasiada para ser cantada em casas típicas de fado? Não seja por isso; há outros palcos, inclusivé fora de Portugal, aos quais, creio, este projecto, quiçá inovador, poderá interessar.
Se algum produtor ou editora de música me adoptar esta ideia peregrina, eu quedar-me-ei contente dessa apropriação. Só teria um desejo a pedir a quem isso fizesse: é que se equacionasse a possibilidade de eu ser o cantor-intérprete do tema "Ne me quitte pas". É que me encantaria dedicar um dia uma eventual actuação minha deste em palco a alguém especial. Porque por esse alguém esta ideia nasceu.
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
• Fado
Ando a carregar comigo um karma terrível!...
Nos planos profissional, financeiro e sentimental - os usualmente objecto de notas nos horóscopos - estou na maior mó de baixo... ou quase. Não está a ser fácil suportar esta cruz. Mas só de mim me devo queixar. Das más opções de vida que venho tomando há já alguns anos.
Tenho aquilo a que se costuma chamar um "Mac Job". Um trabalho socialmente desprestigiado. E onde por comodismo e preguiça me auto-limito a apenas seis horas diárias de suor. Por cuidar que não consigo aguentar mais do que essa dose de quotidiana penitência. Porque é isso mesmo o meu emprego: uma penitência que me imponho a mim próprio. Por absoluta necessidade de ter um salário garantido. Garantia essa que já seria muito bom tê-la para muita gente. Mas para além dessa segurança, eu queria ainda ter alegria no trabalho. Volta FNAT, estás perdoada. E já não tenho essa alegria há muito. Ou se calhar nunca a tive verdadeiramente.
No que às minhas finanças pessoais diz respeito, tenho acumulado dívidas que, para as liquidar totalmente hoje, tal iria exigir cinco meses de trabalho meu, ao ritmo salarial que hoje valho. Não tenho falhado ainda nunca no cumprimento das prestações que devo pagar. O que já é mais do que outros podem dizer, que já estão em incumprimento crónico. Mas eu gostava de ter a minha ficha limpinha de valores em dívida. Ambição desmedida para os dias de crise de hoje, onde até nações inteiras vão á bancarrota? Quando ao nível individual até na classe média-alta há tanta alma endividada até ao tutano... sei lá!... como disse um dia uma tia e alguém depois escreveu um livro com esse título tão... sugestivo.
No campo do Amor... ai, ai... estou separado da minha ex-companheira, desde o dia seguinte a ter celebrado tristemente o meu meio século de idade. Onde pus, irreversivelmente talvez, término a uma relação união de facto de nove anos de duração. A mais longa relação conjugal que vivi. Com uma mulher maravilhosa. Que eu já via a cuidar de mim quando eu estivesse nos meus oitentas... de tal modo a ela me habituei. Embora não a soubesse amar como ela merecia. E nela o desencanto por mim foi medrando... até deixar de existir encantamento algum de todo hoje, por mim enquanto homem. Talvez só como amigo posso por ela ser encarado. Quando já cheguei a ser a sua outra metade dita inseparável - e ela a minha - este status quo dói na alma. Mas ser amigo desta maravilhosa criatura dos deuses, que a minha ex-companheira é, faz com que me sinta privilegiado. Ao lado dos casos pessoais daqueles que também já foram plurais em casais e agora são unidades singulares humanas com divórcios mal resolvidos.
Posto tudo isto assim, até nem me posso continuar a queixar do meu fado. Como o fiz logo de entrada neste post. Ou posso?
É que para além do atrás exposto, eu perdi recentemenete uma boa parte das memórias físicas da minha vida actual.
Vivi cerca de 27 anos, não consecutivos, da minha existência numa casa velha, enquadrada numa quinta, numa área outrora rural, hoje densamente urbanizada. Quinta essa cujo poço de águas abundantes tem uma data inscrita na pedra cimeira do seu arco: 1740. Quinze anos antes do grande terramoto. Casa essa que um perito, cujo nome desconheço de momento, defendeu um dia como moradia do escritor e político Ramada Curto. Apenas por alguns breves anos da sua vida, presumo eu.
Essa casa foi demolida sem apelo nem agravo na sua quase total área edificada no passado dia 13 de Janeiro deste ano aziago que só agora começou. E nos seus escombros ficaram soterrados alguns pertences pessoais que vinha teimosamente preservando dentro desta casa. Não lhes dando assim também a melhor forma de conservação possível.
É triste não se poder salvar as paredes dentro das quais se viveu. Ou aquilo que se guardou durante anos a fio. À espera de ter um dia uma casa condigna para no seu interior conservar finalmente bem o acervo de uma vida. Mesmo que esse acervo fosse essencialmente bric-à-brac e papeladas.
E no entanto, apesar da tristeza que me invade a alma, ainda me permito sonhar. Sonhos utópicos e irrealistas, concedo, mas sonhos todavia.
Ideias peregrinas... que é o que não me falta. Como esta que desenvolverei num outro post que se seguirá a este. E que tem ao de leve um pouco a ver com o Fado. A canção nacional portuguesa. A paixão da vida da minha ex-companheira. Que nunca foi uma das minhas maiores, ou sequer menores, paixões. Mas é a dela. E para eu me sentir mais próximo dela, da sua vocação artística, vou abraçar uma ideia de um projecto nessa área musical. A descrever posteriormente à finalização deste post que já vai longo. E depois ninguém o quer ler até ao fim. Até aqui, este vasto texto funcionou apenas como um teaser para a exposição posterior de uma ideia, que julgo prenhe de alguma originalidade. Que é o que mais falta faz ao velho Fado português.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
• "Eat Pray Love" - o filme
Não percam a ocasião de ver este filme, se ainda estiver em exibição nas salas de cinema, ou procurem alugá-lo em formato Blu-Ray para o verem em casa.
Julia Roberts no seu melhor. Esqueçam o "Pretty Woman"!... Nada a ver com este "Eat Pray Love". Um registo de actriz completamente distinto.
Para verem alguns trailers, cliquem aqui.
Filme baseado no livro homónimo de Elizabeth Gilbert. Consta que é uma obra auto-biográfica. Para tirar uma lição de vida a não esquecer.
Julia Roberts no seu melhor. Esqueçam o "Pretty Woman"!... Nada a ver com este "Eat Pray Love". Um registo de actriz completamente distinto.
Para verem alguns trailers, cliquem aqui.
Filme baseado no livro homónimo de Elizabeth Gilbert. Consta que é uma obra auto-biográfica. Para tirar uma lição de vida a não esquecer.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
• "Águas de bacalhau"
Afinal, não se concretizou o tal de "retiro espiritual" que eu idealizava para as duas semanas que findaram ontem...
Afinal, acabei por não escrever uma só linha de texto do tal romance erótico, do qual gostaria um dia de finalizar a sua escrita. O costume em mim...
Mas em contrapartida, recebi um convite para ler um livro que irá dar brevemente à estampa. De uma escritora minha amiga, muito especial. Um romance em dois tomos, que espero ser-me entregue esta semana.
Honra-me muito ter sido distinguido por esta minha amiga escritora para que eu lhe dê a minha modesta opinião crítica sobre esta sua recente obra.
Afinal, acabei por não escrever uma só linha de texto do tal romance erótico, do qual gostaria um dia de finalizar a sua escrita. O costume em mim...
Mas em contrapartida, recebi um convite para ler um livro que irá dar brevemente à estampa. De uma escritora minha amiga, muito especial. Um romance em dois tomos, que espero ser-me entregue esta semana.
Honra-me muito ter sido distinguido por esta minha amiga escritora para que eu lhe dê a minha modesta opinião crítica sobre esta sua recente obra.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
• A melhor "transa"
Um dia vi um desafio num fórum de discussão na net.
Um desafio à memória íntima de cada um de nós. Um desafio em forma de quiz. E a questão era esta: "qual foi a melhor transa em que foste parte activa?".
Bom, não era bem assim nestes exactos termos - talvez noutra terminologia assim como que a descambar para o calão - mas, por agora, fiquemos por aqui.
Pus-me a consultar as minhas memórias. E enquanto desfilavam recordações dentro da minha desgastada caixa craniana, eis senão quando o pensamento toma um rumo diverso.
E porque não questionarmo-nos antes como poderia ser a melhor cópula que o nosso imaginário mais profundo pode inventar, em vez de limpar o pó a páginas viradas da vida real?
Fui antes por esse sendeiro e dispus-me então a gravar de forma concreta as sensações que se viveriam nesse caminho irreal, em linhas de texto que aqui vão começar a fluir, como águas represadas quando se encontram finalmente livres.
Comecei assim a escrever o que no meu imaginário há muito já tinha sido criado. O cenário de que vou falar-vos é o que observei numa jornada onírica que me levou até um reino que não carecem de procurar em qualquer atlas ou GPS nem de localizar em época histórica alguma.
Nesse reino, os homens e mulheres não conheciam taboos alguns no que ao sexo diz respeito.
Como tal, e segundo os costumes locais, até mesmo a preparação da sucessão do rei e a continuidade da dinastia vigente não constituia qualquer segredo de estado e era mesmo do conhecimento de todo o povo. Naquelas paragens e entre aquelas gentes, isso era assunto supremo a que davam o máximo relevo e nada deixavam ao acaso, como em nenhum outra sociedade organizada jamais se vira.
Eis um resumo do que escutei dos seus costumes: o casamento real era programado em função do êxito da empreitada de procriação do descendente primogénito do casal de suas altezas. O dia da boda teria de coincidir com o fim do período fértil da futura raínha. De modo a que um mês decorrido depois desta, os noivos tivessem só então o primeiro e decisivo contacto sexual com vista a ser gerado o seu primeiro filho, herdeiro natural do trono, como em toda a parte deste mundo é usual assim se predestinar.
Mas isto não era ainda tudo o que aquele povo idealizava para o primeiro encontro simbólico dos seus dois soberanos, tidos como semi-deuses. Todo o ritual dessa primeira comunhão física era deveras inusitado.
Por enquanto e aqui e agora, não revelarei mais desta história.
Já deixei escrito parte do que a minha imaginação me ditou. Uma descrição detalhada do ritual de acasalamento do Rei e da Raínha. Ainda não acabei, no entanto, de escrever o antes e o depois.
Conto fazê-lo num futuro "retiro espiritual" que vou empreender brevemente.
Aqui ficam para já estas palavras que espero possam despertar curiosidades sequiosas de mais. Não quero parecer pretensioso, mas creio que o mundo não terá ainda lido um romance com a carga erótica deste que vou ter de terminar, para deixar a minha contribuição para o acervo cultural da nossa civilização terráquea.
Um desafio à memória íntima de cada um de nós. Um desafio em forma de quiz. E a questão era esta: "qual foi a melhor transa em que foste parte activa?".
Bom, não era bem assim nestes exactos termos - talvez noutra terminologia assim como que a descambar para o calão - mas, por agora, fiquemos por aqui.
Pus-me a consultar as minhas memórias. E enquanto desfilavam recordações dentro da minha desgastada caixa craniana, eis senão quando o pensamento toma um rumo diverso.
E porque não questionarmo-nos antes como poderia ser a melhor cópula que o nosso imaginário mais profundo pode inventar, em vez de limpar o pó a páginas viradas da vida real?
Fui antes por esse sendeiro e dispus-me então a gravar de forma concreta as sensações que se viveriam nesse caminho irreal, em linhas de texto que aqui vão começar a fluir, como águas represadas quando se encontram finalmente livres.
Comecei assim a escrever o que no meu imaginário há muito já tinha sido criado. O cenário de que vou falar-vos é o que observei numa jornada onírica que me levou até um reino que não carecem de procurar em qualquer atlas ou GPS nem de localizar em época histórica alguma.
Nesse reino, os homens e mulheres não conheciam taboos alguns no que ao sexo diz respeito.
Como tal, e segundo os costumes locais, até mesmo a preparação da sucessão do rei e a continuidade da dinastia vigente não constituia qualquer segredo de estado e era mesmo do conhecimento de todo o povo. Naquelas paragens e entre aquelas gentes, isso era assunto supremo a que davam o máximo relevo e nada deixavam ao acaso, como em nenhum outra sociedade organizada jamais se vira.
Eis um resumo do que escutei dos seus costumes: o casamento real era programado em função do êxito da empreitada de procriação do descendente primogénito do casal de suas altezas. O dia da boda teria de coincidir com o fim do período fértil da futura raínha. De modo a que um mês decorrido depois desta, os noivos tivessem só então o primeiro e decisivo contacto sexual com vista a ser gerado o seu primeiro filho, herdeiro natural do trono, como em toda a parte deste mundo é usual assim se predestinar.
Mas isto não era ainda tudo o que aquele povo idealizava para o primeiro encontro simbólico dos seus dois soberanos, tidos como semi-deuses. Todo o ritual dessa primeira comunhão física era deveras inusitado.
Por enquanto e aqui e agora, não revelarei mais desta história.
Já deixei escrito parte do que a minha imaginação me ditou. Uma descrição detalhada do ritual de acasalamento do Rei e da Raínha. Ainda não acabei, no entanto, de escrever o antes e o depois.
Conto fazê-lo num futuro "retiro espiritual" que vou empreender brevemente.
Aqui ficam para já estas palavras que espero possam despertar curiosidades sequiosas de mais. Não quero parecer pretensioso, mas creio que o mundo não terá ainda lido um romance com a carga erótica deste que vou ter de terminar, para deixar a minha contribuição para o acervo cultural da nossa civilização terráquea.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
• Um acto falhado

Rumei à Piscina Oceânica de Oeiras, perto desta estátua de um rabo de baleia, em cima ilustrada à noite, e bati com o nariz na porta...
Este espaço público de excelência costumava encerrar em anos anteriores só no dia 30 de Setembro. Este ano, parece que os portugueses já se fartaram do belo do estio...
Eu, por acaso, até aprecio o Outono, estação em que nasci. Sobretudo dos derradeiros folgores do calor, no popular verão de São Martinho. Que, se os deuses o proporcionarem, irei alarvemente* gozá-lo na mítica zona do Cabo de Sagres.
E a propósito disso, tenho um favor a pedir a quem me lê estas linhas, sobretudo àqueles que me lerão com prazer. Mas isso fica para mais tarde...
* Digo "alarvemente" porque farei concerteza inveja a quem tiver de estar a trabalhar nessa altura e já não tiver mais dias de férias este ano. Porque é que os gastam todos na porcaria do vosso querido mês de Agosto, seus tontos?
* Digo "alarvemente" porque farei concerteza inveja a quem tiver de estar a trabalhar nessa altura e já não tiver mais dias de férias este ano. Porque é que os gastam todos na porcaria do vosso querido mês de Agosto, seus tontos?
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
• Um grito de alma
Este post é só para desviar a vossa atenção para um outro post no meu blog "Giuseppe Pietrini a presidente", que não é tão seguido - injustamente, creio - por todos vós na blogosfera.
Esse post adopta o mesmo título de um dos melhores álbuns dos Ornatos Violeta: "O Monstro precisa de amigos".
É um texto longo em que eu desnudo a minha santa e pecadora pessoa quase integralmente para todos vós, caros voyeurs, e em que espero conquistar-vos para a minha causa, bem como o vosso coração.
Aguardo os vossos comentários em catadupas. Ajudem-me, por favor.
Esse post adopta o mesmo título de um dos melhores álbuns dos Ornatos Violeta: "O Monstro precisa de amigos".
É um texto longo em que eu desnudo a minha santa e pecadora pessoa quase integralmente para todos vós, caros voyeurs, e em que espero conquistar-vos para a minha causa, bem como o vosso coração.
Aguardo os vossos comentários em catadupas. Ajudem-me, por favor.
domingo, 12 de setembro de 2010
• Pedimos desculpa por esta interrupção
Este blog segue dentro de momentos, ou seja, dias.
Vou ter de fazer um intervalo que pode ser alongado no tempo sem me ocupar de filosofias baratas. Valores mais altos se levantam, como se acostuma dizer. E um desses valores é o amor...
Viva o Amor!
Vide este meu post recente noutro blog meu.
domingo, 22 de agosto de 2010
• Um ano...
Faz hoje um ano que tomei a tardia resolução de criar um blog.
Já me sentia meio info-excluido por não ter uma coisa destas. Todo o bicho careta tem e eu a vê-los passar...
Também estava alojada em mim a mesma presunção dos demais, a de que têm algo para contar ao mundo, arrancado down the memory lane das nossas singulares pequenas existências. Somada a outra, a de que julgo saber escrever de forma a cativar o incauto leitor que por aqui possa desaguar, de quando em vez.
Só me faltava a força de vontade para vencer a inércia. Isso e a essência, o fio condutor que seria comum a tudo a que aqui viesse a ser postado. O tema, enfim, a razão de ser que justificasse que mais um blog aparecesse. E que não fosse apenas mais um blog entre tantos outros que o antecederam.
A reflexão que conduzi há um ano atrás levou-me a produzir as seguintes considerações:
- Todos nós, seres humanos racionais, possuimos a capacidade de ter visões ou ideais.
- Alguns de nós, menos do que os anteriores, conseguem reflectir sobre esses ideais conscientemente.
- Alguns de nós, menos do que os anteriores, conseguem expressá-los convenientemente.
- Alguns de nós, menos do que os anteriores, conseguem passar essas expressões para a forma escrita adequadamente.
- Alguns de nós, menos do que os anteriores, conseguem fazer com que essas expressões escritas se tornem interessantes para os outros seres humanos.
- Alguns de nós, menos do que os anteriores, conseguem fazer com que essas expressões escritas interessantes sejam publicadas em suporte papel*.
- Alguns de nós, menos do que os anteriores, conseguem fazer por fim com que essas publicações dos seus ideais ganhem a eternidade.
E eu pergunto: quantos seres humanos, tais como eu e vós, caros leitores, não terão vivido e morrido, levando consigo para a cova tantas e tantas visões ou ideais que tinham um potencial interessante, que podiam ter alcançado esse estatuto de coisa eterna, e que, por inépcia, nunca chegaram a ser partilhados com os outros? Imensos, imagino eu... Tantas visões ou ideais que se perderam assim para sempre... O que não seria da humanidade hoje se essa inevitável perda não existisse...
Eu não sei ainda se aquilo que eu escrevo tem alguma valia.
Mas quero dar uma chance a mim de não ser perdido aquilo que eu penso e que posso e quero partilhar com o resto da humanidade.
As ideias que aqui deixo não serão concerteza todas concretizadas por mim sozinho. Nem Leonardo da Vinci conseguiu tal feito com as suas, quanto mais eu, que não tenho nem um décimo de seu engenho e empenho. Sin embargo, estas minhas ideias vão continuar a quedar-se aqui, á mercê de quem lhes possa dar uma vida para além deste blog.
* Aqui na blogosfera é ao contrário: primeiro os ideiais de cada um aparecem publicados - graças a esse poder de expressão que a internet nos deu a todos - e depois é que o resto de todos nós os julgam interessantes ou não. Viva a internet...
sábado, 31 de julho de 2010
• Royal Falcon Fleet RFF135
O sarcasmo inglès deleita-se a lembrar-nos que há dois felizes na vida de um homem: o dia em que compra o seu barco e o dia em que depois o vende.
Posso bem compreender este conceito. À uma, por causa do clima nas costas das ilhas britânicas pouco convidativo ao desfrute de passeios no mar. Por outra, devido ao paupérrimo design dos barcos da actualidade. Habituado que estou a perscutar à laia de simples curioso as novidades em salões náuticos abertos ao zé-povinho - vulgo coisas como a Nauticampo na FIL, que aliás este ano perdeu essa designação - regra geral fico sempre desapontado com uma certa falta de originalidade de quase todos ou mesmo todos os modelos de barcos apresentados por diferentes fabricantes nacionais ou estrangeiros.
Desde que os barcos de recreio são feitos predominantemente em fibra de vidro que lhes deixei de achar piada. E passei a abominar certos detalhes de construção algo "queques", diria até "maricôncios", dos actuais barquitos.
Para mim, barco de um homem que se preze são as saudosas lanchas ligeiras de madeira de mogno envernizada, com aquele iconográfico design retro da Riva, cujo habitat natural são os grandes lagos na fronteira da Suiça com a Itália. Mai'nada!... E para aqueles que não sabem do que falo, clicai aqui.
Barcos de maior porte, em fibra, cabinados e com a posição do homem do leme demasiado confortável, ao abrigo tanto de valentes intempéries como de suaves brisas, cá p'ró rapaz ça ne va pas....
Mas eis que num outro recente dia este meu dogma sofreu um duro revés. Estava eu a folhear a revista "Christophoro", edição do representante da Porsche aqui ao lado em Espanha, quando os deuses me ofereceram esta visão desta maravilha que é o iate Royal Falcon Fleet RFF135, concebido pela Porsche Design. Ora mirai em baixo:
Assim que vi este portento de criatividade, diisse para mim mesmo: até qu'enfim, um barco grande que não envergonha o seu afortunado dono. Até qu'enfim luxo e conforto sem prejuizo da nossa testosterona.
Para quando um proprietário luso de um exemplar desta absoluta maravilha? Para quando vê-lo a navegar nas águas mansas do Algarve? Ou quiçá no Alqueva... Se o maior lago artificial da Europa não constituir uma "gaiola" demasiado restrita para esta grande "ave"...
Ah, se eu tivesse o montante de "guito" adequado à aquisição de um destes iates, poria em prática a ideia peregrina de o transformar em sala de reuniões móvel, à disposição de empresas promotoras de eventos. Olhai só para este belíssimo hall de entrada para o espaço a disfrutar:
quarta-feira, 30 de junho de 2010
• O Saramago
José Saramago parou de escrever*.
E a pergunta mais importante que nos deviamos todos pôr a nós próprios, portugueses e cidadãos do mundo, depois deste acontecimento é: e agora?
Sim, e agora? Quem é que vai escrever no lugar dele, como ele o fazia?
E sobretudo quem vai levantar lebres como ele tinha o consanguíneo deleite em fazê-lo para abalar as nossas adormecidas consciências? Quem nos vai sacudir para nos acordar? Quem nos vai avisar que andamos cegos?
Será que esse alguém já nasceu? De novo na Azinhaga da Golegã, entre os que o conheceram de forma mais próxima? Ou noutra azinhaga qualquer deste vasto Portugalito?
É que Saramago faz-nos falta. É desígnio urgente que uma voz da alma como a que ele tinha volte a falar. Necessitamos de novo de quem nos faça pensar. De quem debite pensamentos diferentes. Mesmo que estes sejam ideias peregrinas, como aquela que um dia Saramago teve de promover o voto em branco.
Ideia esta que até não me desagradaria num futuro próximo. Pois sou candidato à Presidência da República e "Branco" é o meu nome do meio.
Bem, não sei se tenho valia para pegar no testenunho que ele estende desde o além em que agora caminha com a espinha direita, como sempre o fez. Mas alguém tem de pegar nesse ferro e continuar a corrida. Já que eu me creio prenhe de outras ideias peregrinas, ou não tivesse fundado este blog...
Não quero pecar por imodéstia. Não vou proclamar já que sou eu essa voz que urge retomar presença. E antes do mais, vou ver se começo a ler o meu primeiro "Saramago", que ainda não li nenhum. Encetarei, talvez, pelo "Ensaio sobre a Cegueira", que uma alma forasteira um dia me recomendou. Assim que termine a leitura de "Eu, Buddha", de José Frèches.
* José Saramago parou de escrever tão só. Parar de existir tornou-se uma impossibilidade depois de ter deixado o que o deixou escrito.
E a pergunta mais importante que nos deviamos todos pôr a nós próprios, portugueses e cidadãos do mundo, depois deste acontecimento é: e agora?
Sim, e agora? Quem é que vai escrever no lugar dele, como ele o fazia?
E sobretudo quem vai levantar lebres como ele tinha o consanguíneo deleite em fazê-lo para abalar as nossas adormecidas consciências? Quem nos vai sacudir para nos acordar? Quem nos vai avisar que andamos cegos?
Será que esse alguém já nasceu? De novo na Azinhaga da Golegã, entre os que o conheceram de forma mais próxima? Ou noutra azinhaga qualquer deste vasto Portugalito?
É que Saramago faz-nos falta. É desígnio urgente que uma voz da alma como a que ele tinha volte a falar. Necessitamos de novo de quem nos faça pensar. De quem debite pensamentos diferentes. Mesmo que estes sejam ideias peregrinas, como aquela que um dia Saramago teve de promover o voto em branco.
Ideia esta que até não me desagradaria num futuro próximo. Pois sou candidato à Presidência da República e "Branco" é o meu nome do meio.
Bem, não sei se tenho valia para pegar no testenunho que ele estende desde o além em que agora caminha com a espinha direita, como sempre o fez. Mas alguém tem de pegar nesse ferro e continuar a corrida. Já que eu me creio prenhe de outras ideias peregrinas, ou não tivesse fundado este blog...
Não quero pecar por imodéstia. Não vou proclamar já que sou eu essa voz que urge retomar presença. E antes do mais, vou ver se começo a ler o meu primeiro "Saramago", que ainda não li nenhum. Encetarei, talvez, pelo "Ensaio sobre a Cegueira", que uma alma forasteira um dia me recomendou. Assim que termine a leitura de "Eu, Buddha", de José Frèches.
* José Saramago parou de escrever tão só. Parar de existir tornou-se uma impossibilidade depois de ter deixado o que o deixou escrito.
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