“
Manmadhudu 2”, um filme indiano que não vale a pena correr para ir pesquisar em que salas de cinema estará em exibição… Porque ainda se encontra em fase de rodagem. Entre outros lugares, também aqui nesta
sunny Lisbon.
Voltei a fazer sessões de figuração com este filme hindu, que é uma sequela de um outro, o primeiro do mesmo nome, “
Manmadhudu”, do já longínquo ano de 2002. Com as filmagens do último a decorrer na arquibancada do
estádio Alvalade XXI, o do meu clube, o
Pótingue…
Nada de extraordinário.
Uns dias depois, era para entrar também noutro filme, este agora português, “
O Ano da Morte de Ricardo Reis”, baseado no livro homónimo de
José Saramago.
Mas desta feita fiz uma desfeita com quem me convidou para este participação, mesmo à hora de entrada para o cenário, qual noivo chegando na igreja e voltando para trás arrependido.
É que aquilo era para ser uma molhada de figurantes, na praça de touros do
Campo Pequeno. Até poderia vir a ser divertido estar ali naquele espaço, ver os bastidores da arena, conviver com gajos vestidos de oficiais nazis e soldados dos exércitos de Mussolini, mas…
…Eu quis dar um fora aos crowds que se ocupavam daquele batalhão de figurantes. Porque nos tratam como gado; porque eu vinha com um fatinho novo a estear, totalmente Fernando Pessoa, e não ia brilhar - como eu tinha a ilusão de poder fazer, já agora… - no meio daquela maralha toda; e porque toda aquela conjuntura me desmotivou assaz e é preciso ter amor próprio, caramba!…
Curiosamente, ontem ao fim do dia, na minha mais habitual função de motorista de turismo, fui levar a passear num belo dum Mercedes por esta Lisboa à noite um “casal” de actores, dois monstros sagrados da tupiniquim Rede Globo:
Miguel Falabella e
Marisa Orth.
É que eles estão por estes dias a passar uma curta estadia em Portugal, por causa desse habitual frete a que artistas têm de se sujeitar: o lançamento do seu filme “
Sai de Baixo”, por esta Europa toda. Até no pobre do reino da Dinamarca, às tantas...
Estranha forma de vida, a minha… E não sou fadista, nem nunca provavelmente o serei. Mas anteontem ao lusco-fusco, perdendo alguns dos meus passos por Alfama, esse imundo bairro que cheira a Lisboa, até poderia bem parecer um desses mamíferos. Isto devido ao
outfit que estava a usar.
Ultimamente, às vezes olho-me ao espelho e num sacana dum narcisismo recém-despertado e mal disfarçado até chego a me auto-avaliar como um g'anda canhão... Ah, se as minhas
ex-wives me pudessem ver agora, que estou nos
trinques!...
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Nota: Miguel Falabella e Marisa Orth - sobretudo esta última grande Senhora, com S maiúsculo - fizeram-me a grande honra de agradecer no final o serviço que lhes prestei. Se eles alguma vez lerem estas linhas, eu quero que saibam que senti que este dito serviço foi como que o pagamento duma dívida que eu tinha para com eles. Devo-lhes muita risada. Mas também muita reflexão profunda que me induziram com o serviço que eles sempre prestam à nossa pobre humanidade.