quarta-feira, 14 de agosto de 2013

• Praias fluviais

A minha cidade natal, Lisboa, parece ter ganho uma praia fluvial. Na Ribeira das Naus, aquele espaço entre o Terreiro do Paço e o Cais do Sodré, durante tantos anos deixado ao desprezo. 

A edilidade olissiponense prefere não classificar este referido local e a sua intervenção urbana como uma verdadeira praia fluvial. Designa a coisa antes com "avanço de margem". Pois bem… É uma cautelosa atitude. Porque as águas do Tejo naquela zona são mesmo impróprias para banhistas.

No entanto, os turistas que nos visitam não o sabem de imediato. E pululam a zona com toalhas de praia estendidas em cima das lajes de betão onde as ondinhas do rio vêm rebentar devagarinho.

Se nós, lisboetas e gente dos arrabaldes suburbanos não banhados pelo mar, quisermos imitá-los e limitarmo-nos a tomar banhos de sol resultantes em escaldões tipo lagosta suada, aqui está a solução que a crise impõe para trabalhar para o bronze, de uma forma troikiana.

Agora um pouco mais a sério… É uma lástima que não existam praias de rio no Tejo de jeito senão bem longe da sua foz. Sendo a primeira das menos longínquas, na minha opinião pessoal, a de Constãncia. Que fica a mais de uma centena de kilómetros. E mesmo assim, o que lhe vale são as águas límpidas do Zêzere, que ali se reúne ao nosso maior rio.

E digo lástima porque hoje em dia dou privilégio a estas praias mais calmas do as oceânicas. Quanto não é melhor sair duma água fresca e clarinha até mais não e ir descansar a seguir á sombra de uma pequena floresta de árvores frondosas e sobre uma relvinha bem aparada… em vez de uma torreira de sol e areias tórridas.

É por isso, porque para mim praia fluvial à maneira tem de ter áreas verdes e sombras frescas, que não considero como opção as praias do rio Tejo dentro da área da grande Lisboa. Como a dos moínhos de Alburrica, no Barreiro ou a da aldeia do Rosário, na Moita. Ou a da antiga seca do bacalhau em Alcochete.

Eu aplaudo o facto de hoje em dia muitas autarquias do interior de Portugal terem despertado para os encantos das águas cristalinas dos nossos rios e ribeiras. A ponto de se terem edificado praias fluviais com arranjos paisagísticos das suas envolventes muito convidativos.

Pena é que eu viva tão longe dessas terras do interior… Mas ainda um dia hei-de trocar esta Lisboa, que me tem sido tão aziaga, por alguma dessas paragens onde se ouve água corrente, mesmo no mais seco dos estios.

Para quem quiser sonhar o mesmo que eu, é consultar o cardápio destes pequenos paraísos, ainda meio secretos. Dois dos melhores websites para o efeito são: 

O Rede de Praias Fluviais, da responsabilidade da ADXTUR - Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto;
 
...e o Guia das Praias Fluviais, editado pela Blanche, uma produtora de Castelo Branco, cujas actividades são a gravação de som e imagem e edição de música. Estranho é que com este excelente website, esta empresa não aproveite para se promover…

E com isto, estamos apenas a falar do Pinhal Interior!… Ainda não se abordam as praias do interior norte, da Beira Alta, do Alentejo... ou do Algarve, que também tem algumas bem pouco conhecidas mas assaz interessantes praias de água doce.

Mas se fosse pedido para eleger uma, acho que a minha tendência iria para a praia fluvial do Açude Pinto, em Oleiros… A ver bem se não é altamente apelativa a imagem em baixo deste recanto secreto.


sábado, 27 de julho de 2013

• Uma pedra mais para o meu castelo - VIII

Áreas de lazer. O meu rico castelo não poderá nunca prescindir destas, ao seu redor. Jamé! Jamé!*…

E eu tenho particular queda para desportos individuais. Em primeiro lugar, os racket sports, com que cresci, privilegiando-os. Depois, o tiro com arco, que recentemente comecei a praticar.

O primeiro desporto de raquete a que ganhei afinco foi o badminton, aos meus 10 anos. Passava tardes de domingo só a bater no volante com um parceiro. Sem rede nem campo com piso bem delimitado. Apenas para suar com esse exercício não competitivo.

Hoje eu desejaria ter um court de badminton mesmo a sério. Um pouco como um que houve em tempos nas termas de Monte Real, Leiria, ao ar livre, com uma cortina de ciprestes a servir de quebra-vento. E com um piso como o da foto ao lado.

Por volta dos meus 15 anos deu-me a louca de querer construir a minha própria mesa de ping-pong. E gastei uma razoável maquia de dinheiro, materiais e tempo a executá-la. Para o resultado final ser muito amador. Nunca fui muito dado a trabalhos manuais. Mas fui persistente. Teimoso, até. E ainda cheguei a gozar umas boas horas de prática de ténis de mesa nessa minha pequena obra-prima da carpintaria de limpos.

Hoje eu seria mais de comprar tudo feito. E ter um cantinho exterior para armar-me em craque chinês como o da foto ao lado. Com algumas ligeiras modificações. Nada daquela bárbara rede rígida metálica! Antes uma rede têxtil normal, com impecáveis esticadores. E uma placa com cantos ortodoxos, ou seja, em ângulo recto e não arredondados. No mais, a estrutura de suporte está lindíssima. 

Aos meus 17 anos, acordei para a era Bjorn Borg. Com a compra de uma revista brasileira de tennis, com uma reportagem sobre o torneio de Wimbledon desse ano. Aqueles courts lindíssimos de relva natural, bem aparadinha, que sonho!…

Pensei então em fazer o upgrade dos meus skills de controlo da bolinha de celulose branca numa mesa para agora dominar a bola de látex forrada a feltro amarelo num campo de bem maiores dimensões. E fui logo para a Escola de Ténis João Lagos, no CIF, alto do Restelo, na minha Lisboa natal.

On my wildest dreams, e se o meu castelo vier a ser também uma pequena unidade hoteleira de turismo de habitação, ambicionaria ter 3 courts de tennis, de diferentes superfícies: relva natural, pó de tijolo e piso sintético bicolor. Isso seria um must! E não conheço ainda nenhum caso no mundo inteiro de tal conjunto de 3 courts, lado a lado, num só empreendimento. Mas é provável que esta minha aspiração não seja original e alguém já a tenha concretizado algures.

Mas se for um só court, pode bem ser como este da foto ao lado. Com áreas laterais mais generosas em largura. O piso que acho que privilegiaria seria um sintético, tipo tartan. Se algum instalador o fizer. E com as tradicionais vedações de rede metálica ocultas com alguma solução vegetal. Tipo sebes. Ou mais uma vez, ciprestes, como os das minhas memórias de modestas mas prazeirosas férias na bela zona de Vieira de Leiria, cercana a Monte Real.

Agora, em anos mais recentes, no início da minha finda década de quarentão, eu já julgava que nunca mais na vida iria ser um atleta olímpico! Mas depois pensei que existe o tiro com arco. Onde a idade não é assim tão determinante como em outros desportos que pedem mais do físico. E vai daí, adquiri um arco e flechas de iniciação e um alvo. E também tive algumas aulas, ministradas por um português que foi um representante nosso nos Jogos de Atlanta, em 1996.

No meu castelo haverá uma pequena carreira de tiro, bem vedada com árvores altas e uma fina rede de segurança. Para que os arqueiros meus convidados e eu possamos usufruir dessa área numa animada e saudável competição entre nós. Talvez floresçam lá uma mão cheia de novos Robin Hood…

Poderei ainda fazer uma ligeira concessão a um desporto colectivo: o basketball. Isto porque também construí um belo dia, com materiais reciclados, uma bem tosca tabela de basket. Num telheiro sobranceiro ao poço, datado de 1740, da quinta da minha adolescência. Ao lado da qual ainda habito hoje, num apartamento vulgar de Lineu.

Nesta concessão estou a falar apenas de uma tabela. Nada de um campo de basket oficial, inteiro! Só uma pequena área com as marcações de um "garrafão". Como é da gíria deste desporto chamar a essa parte do campo debaixo do cesto. Só para praticar aí uns dribles e encestamentos avulsos. Sem grandes stresses. Just for fun.

E é isto por hoje. Em outras ocasiões futuramente vamos abordar também ideias para actividades desportivas aquáticas e indoor. Que isto do lazer lá nos meus domínios senhoriais não se pode nem se vai esgotar por aqui!...
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* Expressão emblemática de um ministro das obras públicas de um governo português dum passado recente. De sua graça Mário Lino. Um bacano. 

domingo, 21 de julho de 2013

• Procuro modelos fotográficos (m/f)

Modelos: Valentin Carmin e Anastasia Balagurova
Vou hoje aqui ousar publicar um post à laia de anúncio classificado. Quero realizar o sonho que já aqui anteriormente neste blog descrevi, num outro post que intitulei "Quero ser Marco Glaviano!".

• Procuro modelos fotográficos (masculinos ou femininos)

Para sessões fotográficas visando a criação de books ou portfolios para participação em concursos e castings, com vista à promoção pessoal, tanto do fotógrafo como dos modelos.

As sessões fotográficas serão TPF ou pagas, conforme acordado e do interesse mútuo de ambas as partes. O meu estúdio fotográfico preferido é a mãe-natureza no seu estado selvagem. Mas estou aberto a outras soluções e propostas da parte dos modelos.

Dou preferência a modelos com características mais procurados pelos mercados audiovisual e da publicidade, ou seja asiáticos(as), africanos(as), latinos(as) ou do leste europeu.

Para além das características citadas, seria particularmente interessante ter a possibilidade de fazer sessões fotográficas com casais ou grupos.

Os eventuais interessados neste desafio global poderão avaliar da valia técnica e artística em fotografia deste vosso criado observando os meus álbuns de fotos no facebook ou os portfolios divulgados por mim nos websites iStudio e Model Mayhem.

domingo, 14 de julho de 2013

• GEPE

Fui de visita à minha tia a Marrocos, hip hop…

Bem… não foi bem isso o que o meu dia de ontem foi. Mas foi quase. Fui a um congresso de gente feliz.

Para os devidos efeitos, oficialmente este magnífico evento levou a denominação de "Congresso GEPE - Juntos vamos mais longe!".

GEPE*, como se pode ler em cima na imagem no topo deste post, é uma sigla que descodificada significa "Grupo de Entreajuda para a Procura de Emprego".

Existem cerca de uma trintena ou mais destes grupos por todo o país. E todos os dias podem nascer mais outros. Curiosamente, Coimbra ainda não foi contemplada com um destes grupos…

Alguém dentro de um destes grupos já disse que sim, que os GEPE até podem ser comparados aos grupos de Alcoólicos Anónimos. Só que a queda no vício do alcoolismo não é, regra geral, involuntária ou imprevisível. E o surgimento de uma situação de desemprego, sim, pode muito bem ser.

No resto, em ambos os tipos de grupos há uma grande vontade, colectivamente partilhada, de mudar as coisas.

Mas também há uma outra visão sobre esta situação temporária, tão socialmente estigmatizada. Para além da vontade de mudança, tem de haver a aceitação do desemprego como uma oportunidade.

Isso foi realçado por uma voz, ao menos, neste congresso de gente feliz, como já atrás o classifiquei. Gente que, já agora, nem parecia um bando de desempregados. Como repetidamente foi realçado por alguns participantes. Porventura foi esta a voz que eu mais escutei com atenção. A de uma grande senhora, mãe de quatro filhos e dona de um elevado nível de auto-conhecimento. Aparentemente. É de sua graça Patrícia esta mulher singular. Bonito nome...

Que fez questão de dizer a todos que o desemprego pode atingir qualquer um, em qualquer lugar. Até a ela, que teria um cargo na função pública na Presidência da República. 

Mais fez questão de contar que desceu ao pior de si, provavelmente em termos de auto-controlo, mas que reverteu esse estado de alma e - frisando bem de antemão que não a interpretassem mal - declarou que... gosta neste momento de estar desempregada.

Porque o desemprego pode ser mesmo um tempo de oportunidades. Porque se fica com mais tempo para nós próprios. Tempo que não está disponível em quantidade e qualidade quando estamos entretidos a consumir as nossas vidas em horários normais de expediente, cinco dias por semana.

Podemos encarar as carreiras profissionais de cada um de nós como searas de trigo. E o desemprego como um período de pousio. Um tempo de renovação em tranquilidade.

O desemprego é, afinal, um problema social que é efeito colateral da revolução industrial e de toda a natural evolução da nossa civilização que se lhe seguiu. E veio para ficar.

Ciclos de abundãncia e de carência nas economias global e nacionais hão-de alternar-se para sempre e os níveis de desemprego não terão outro remédio senão acompanhá-los. E tudo escapará grandemente ao controlo que nós, enquanto indivíduos, poderemos ter das nossas existências, em permanência.

E é isto que se me oferece contar à laia de balanço pessoal de um dia de imersão numa pequena multidão constituída por uma élite de gente que é sedenta de energia positiva.

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* Os GEPE são um projecto promovido pelo IPAV - Instituto Padre António Vieira.

sábado, 29 de junho de 2013

• Uma ideia nada peregrina!...

…p'ra variar! Uma ideia mesmo do caraças!!!…

E que ideia seria essa?… Um verdadeiro ovo de Colombo, creio eu. Que seria: fazer aquilo que as cadeias de fast food nos prometem e nos criam água na boca e nos levam a experimentar. Mas em bom!

Eu sou um tipo que cai imensas vezes no erro de acreditar naquilo que o marketing nos mostra, com fotos francamente bem feitas e apelativas. E quando o copyright acompanha na perfeição então…

A minha última banhada foi na Pans & Company. Estive a fisgar durante longo tempo afinfar o dente naquele creme de queijo de Nisa (ui, ca'bom!…) a cobrir um lombinho de porco, ainda por cima com pimentos bem vermelhos e em pão de oregãos. Sabia bem que ia levar decepção p'ra casa! Mas lá cedi um dia…

Evidentemente, nada a ver com a foto aquilo que me foi servido. Pimento muito menos abundante, fatia de lombo não tão alta… e o pior de tudo, pão superaquecido á pressa, em micro-ondas, com certeza, o que fez com que o creme de queijo praticamente se volatilizasse. E o sabor dos oregãos nem se desse por ele. Uma autêntica mistela!…

Na ocasião em que provei esta coisa inqualificável de tão mentirosa que é, no Centro Comercial Vasco da Gama, reparei que devia ser o primeiro dia de um novo emprego de um pobre homem já cinquentão, ao balcão daquela loja da Pans. A ter que vestir aquelas fardas tantas vezes ridículas dos estaminés deste género… mas era um renascer da esperança para ele. Um novo emprego, muito benvindo.

Na cozinha, outros recursos humanos, talvez bem mais antigos na casa, laborariam… e nem por isso o resultado final para o cliente foi satisfatório. Dica: formação profissional on the job precisa-se com urgência. Ou uma melhor orientação das gerências de loja.

Mas é assim a vida! Se nós queremos encher a malvada na filosofia low cost e a despachar, é melhor não termos expectativas demasiado elevadas quanto à qualidade.

E o que eu digo aqui da Pans e desta experiência gastronómica traumática vale tanto para este caso, claro, como para outras cadeias de fast food como o bom velho McDonald's, que muitas vezes nos apela a vivenciar umas variações aos seus menus standard. Same for Pizza Hut. E até o meu preferido Burger King não escapa á crítica.

As gentes do H3 já perceberam isto. E a sua clientela não abranda de aumentar. E além de tudo o mais, os seus empregados têm uma coisa simplesmente única e louvável: sorriem p'ra nós, que lhes damos a distinção de escolhermos os seus produtos e não os de outros. E isso, digo-vos, p'ra mim faz uma diferença enorme. Que não tem preço.

terça-feira, 25 de junho de 2013

• Peregrinando por aí

O mundo inteiro protestando contra a crescente degradação do seu nível de vida, contra terem de pagar dívidas públicas de estados que esbanjam dinheiros e recursos, contra corrupções grassantes por todo o lado, contra serviços públicos cada vez mais degradados na sua qualidade, como a saúde, a educação, a justiça, etc…

…e eu apenas encantando-me com ideias tão peregrinas como a do tipo que pensou num iate em forma de porta-aviões nuclear, que se vê acima. Ideal para ir peregrinar pelo mundo inteiro, passando ao largo dos inúmeros tumultos nas grandes urbes. E da revolução global.

Estou além.
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Nota: a foto acima é a reprodução de uma página dupla de um interessante artigo sobre projectos megalómanos para grandes navios para clientes multimilionários, publicado na revista Newlook France, edição de Setembro 2011, cuja bonita capa - para dizer o mínimo... - se mostra aqui ao lado. 

Como dizia Fernando Pessoa, provavelmente com muitíssima razãozinha antes do tempo, "navegar é preciso, viver não é preciso"...

segunda-feira, 20 de maio de 2013

• Uma pedra mais para o meu castelo - VII

À beira de água corrente. Não muita. Somente com um curso um tudo nada suficiente para não secar no estio. Com margens verdes todo o ano. Com uma natureza disciplinada por um açude. Para aproveitar a força motriz da água. Com uma praia fluvial para um tranquilo fruir dos tempos livres, tanto no tempo quente como no frio.

Uma morada assim, se do sonho virasse realidade, tornar-me-ia um sedentário militante. Até é melhor talvez nunca ter.
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Nota: A foto no topo deste post é o Le Moulin de l’Abbaye Hotel em Brantôme, Périgord, França.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

• Sidra

Quando eu era um puto de oito anos, havia na região saloia onde cresci uma fábrica de refrigerantes perto de Caneças onde era produzida graças a um franchising uma bebida que aprendi a gostar por demais: a extinta Carbo Sidral.

Áquela época, as grandes cadeias de distribuição alimentar tipo Sonae ainda não tinham aparecido ou proliferado tanto assim como hoje. Por isso, a boa da Carbo Sidral saía da fábrica em velhos camiões de transporte de grades de garrafas e estas eram descarregadas directamente em cafés e restaurantes da zona da grande Lisboa, pelo menos. E até mesmo à porta do consumidor final! Isto no nosso próprio caso, o dos habitantes aqui da zona da então freguesia de Odivelas que bastava fazer o pedido nesse sentido ao departamento comercial da fábrica. Todas as semanas tinhamos certinha uma grade de 12 garrafas a ser-nos entregue. Como se fosse pela carrinha de um leiteiro de antigamente.

No meu ano sabático de férias pagas pelo exército português na ilha da Madeira experimentei uma vez só na vila piscatória do Caniçal uma bebida que era até então apenas um mito pessoal. Falo da sidra que me disseram ser tradicional do Santo da Serra. Não fiquei mesmo nada cliente naquele exacto momento. Aquilo era mais um vinagre do que uma poção que me recordasse o suco do fruto do pecado original.

Quando debutei a minha carreira profissional na área da engenharia, tive de efectuar frequentes deslocações até ao Minho, principalmente aos concelhos da Póvoa do Lanhoso e de Vieira do Minho. Aí, uma daquelas pequenas impressões locais que me chocava sobremaneira era a quantidade de maçãs que jaziam nos solos, caídas das árvores nos campos daquelas paragens. Sem que ninguém aparentemente quisesse tirar qualquer proveito daquele recurso que a natureza generosamente disponibilizava. Dava vontade de fazer alguma coisa! Não perpetuar um desperdício tão grande como aquele. Mas como? Isso à altura eu ainda não vislumbrava.

Quase a abeirar os meus quarenta anos, descobri essa pequena maravilha terrena que é a Bretanha francesa e, claro, por força das circunstãncias, le cidre doux breton… e foi um coup de foudre. A partir daí, se tivesse de escolher uma só bebida, além da H2O de Lineu e do leitinho Vigor, que fosse a única até ao fim dos meus dias que eu poderia engolir ás refeições essa seria a sidra que os celtas nos deixaram em legado.

Com um curriculum vitae destes, ás tantas eu devo ser um gajo mesmo ideal para relançar a produção nacional de sidra, penso eu!…

Andei a ver umas coisas aqui e acolá na web. Ao menos no Santo da Serra, na Madeira, a sidra parece que não passa de moda… A julgar pelo cartaz lá em cima.

Aqui no continente consta que a sidra já teve uma tradição de consumo no norte, justamente no Minho. Tradição essa que em Ponte de Lima se pretende renovar, com o arranque da produção de sidra tradicional, sob a marca Lagoas. Como se mostra numa foto acima neste post. Há dois anos que esta iniciativa dura. Desconheço ainda que sucesso terá hoje.

Junto do Minho temos a Galiza. Que será a região espanhola com mais toneladas de maçã colhidas. Tantas que as exportam a granel para que chineses e japoneses também façam hoje a sua sidra. Um pouco mais longe, nas Astúrias, existe desde tempos imemoriais a melhor sidra ibérica, dizem.

Mas para beber a melhor de todas para mim, temos de continuar a rumar mais a norte ao longo da costa. Ah, a cidra doce da velha Armorique! Com uma publicidade como a da Kerisac, que se mostra aqui ao lado, nem carecia de ser tão boa… E então o kir breton! Ui... Mas há muito mais mundo no que diz respeito ao rico sumo de maçã fermentado. A saber...

Nas Américas, onde o saber da produção da sidra foi trazida pelos colonos britânicos, alguns tipos novos deste néctar divino terão surgido. Como é o caso da cyser. Que é uma sidra em que se mistura mel, tornando-a assim mais densa e escura e, para além disso, muito doce. Aqui ao lado, a da Eaglemount, de produção artesanal no estado de Washington, bem lá no noroeste americano. Que pomada que isto deve ser, meus deuses!!!... Oxalá haja deste lado do Atlântico também.

No Canadá, perto dali, once já vingava um algo surpreendente ice wine, nas regiões bem frias junto ao Alaska, fizeram nascer também a ice cider. Feita a partir de maçãs mirradas pela neve e pelo gelo. Que aqui em Portugal os jovens agricultores diriam logo que eram duma colheita para deitar inteirinha para o lixo. Aqui à direita, uma típica garrafa de design finíssimo, da marca Pinnacle, do Quebec. Valendo o seu peso em ouro, muito provavelmente...

No hemisfério sul, a Argentina tem na sidra uma bebida de largo consumo. Já no Brasil, a coisa parece que pega sobretudo ou só quase no Natal, onde se apelida de champagne dos pobres. Imagem um pouco pejorativa que me arrepia o pelo, por depreciar a minha bebida preferida. Mas talvez a maçã tupiniquim não seja mesmo lá essas coisas… Apesar da esbeltez da embalagem à esquerda ilustrada... Para pobres, hein?...

Já me estou a alongar e ainda não toquei no célebre Calvados da Normandia nem no apple brandy anglo-saxão. Nem ainda em sidras que não levam sumo de maçã… mas de pera. Ou de frutos vermelhos. Ou sidras misturadas com vinho. Ou a sidra tomada quente - sim, quentinha, que nem um chá - com um indispensável pau de canela a aromatizar, mergulhado na chávena. Mas por hoje fico por aqui.

Ressuscitar a sidra em Portugal é bem uma ideia peregrina! Requeriria toda uma campanha de marketing bem arrojado. Mas seria para o bem comum, uma vez que esta bebida tem tantas boas potencialidades para a saúde humana… A ver, citando este artigo aqui, da autoria de Regina Pereira, engenheira agrícola:

"A Sidra tem alguns efeitos benéficos para a saúde, sendo um produto, diurético, eupéptico (facilita a digestão), anti-oxidante, febrífugo (inibe a febre), anticatarral, antidiarreico, digestivo, que previne enfartes e outras doenças cardíacas, protege a arteriosclerose, é anticancerígeno, cicatrizante, entre outros.
Não é por isso de estranhar ouvir dizer que «saímos do paraíso por causa da maçã e com a maçã voltamos ao paraíso».
Por isso, beba Sidra (com moderação)…"

Tenho de estudar agora quais são as melhores variedades de maçã da Tugalândia que se adequarão a ser transformadas em líquido. Nem que seja para apenas me poder relembrar do saudoso sabor da Carbo Sidral de quando eu era um infante muito verde.

terça-feira, 30 de abril de 2013

• A vida

E é isto!… Não há muito mais que valha a pena acrescentar a este longo arrazoado de verdades de La Palisse.

Só me falta cumprir uma coisita, que é viajar muito pelo mundo real. Porque pelo virtual já fui até aos confins do Pólo Sul. E este blog já me proporcionou sonhar bastante. Mas ainda estou em bom tempo para aumentar um pouco mais a parada onírica.

domingo, 14 de abril de 2013

• Uma pedra mais para o meu castelo - VI

Um puff. Modular. Constituído por várias peças em forma de bolas de tennis. Recheadas com a clássica solução de pequenas bolinhas de esferovite. Confortável. Gosto. Quero!  ;-)

Sempre quis ter no centro da minha sala de estar um puff daqueles enormes, género bosta de vaca com mais de 2,5 m de diãmetro. Tal como um tio meu tinha no seu apartamento no centro de København*, nos anos oitenta do século passado.

Grão a grão o meu castelo está-se a compor. Nem que seja só na minha imaginação. Qualquer dia vou convidar para a inauguração todos os meus amigos… imaginários.
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* Copenhaga, capital do reino da Dinamarca e do fine design.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

• Dia das verdades

Hoje, dia 1 de Abril, ocorreu-me esta repentina ideia peregrina, que vou passar a contar…

E que tal se houvesse, para além do dia das mentiras - ou até em seu lugar, porque não? -, um dia das verdades?…

É que, convenhamos… Dizer uma peta é demasiado fácil. O que era de homem era ter tomates para dizer aquelas verdades. Tipo:
  • Yah, tás gorda. Mas também, é só um kilinho, caramba…
  • O quê, vocês acreditaram quando nós dissémos que aquilo que se passou no Chipre não vai acontecer em outros países europeus? Pobres ingénuos…
  • Empresta-me aí algum guito, mas olha que não tenho intenção de devolver-te, ok?…
  • Chefe, você é mesmo um g'anda filho da mãe!!! Oh, que porra, mas porque é que nunca mais me sai o EuroMilhões?…
  • Nunca gostei dessa tua mania de esgravatares a manteiga para a barrar no pão. Eu deixo sempre a superfície lisinha…
  • Sim, fiz batota, sim! E depois?… 
…e etc. Isto é que seria um dia de festa de arromba! É claro que haveria à mistura, com toda a certeza, algumas clivagens... Divórcios, zaragatas, amizades terminadas, amuos, olhos negros e outras mais desgraças por aí fora. Ia-se estragar muita coisa... Mas cumprir-se-ia a bela da teoria da evolução de Darwin. Só aquilo que é mais forte é que sobrevive para perpetuar a espécie.

Vamos pensar nesta proposta com carinho, shall we?… 

sexta-feira, 29 de março de 2013

• Acreditar

E a época do ano que atravessamos presentemente, a Páscoa dos cristãos, é um tempo propício a renovações...

Fear not to fail, folks! Ever. Life is a never ending learning process.

Não temais levar as vossas ideias peregrinas avante, ó gentes! Uma bonita senhora, que se dizia militante do empreendedorismo partilhou com uma assembleia em que eu me inseri, que em Silicon Valley ela aprendeu que só ao fim de criar a sétima empresa própria é que se tem sucesso. Isto em termos médios, como é bom de ver.

Pelo meu lado, eu já estou é farto de falar apostas sozinho. Digo apostas na minha carreira profissional, não em dar vida a projectos pessoais como os que vão sendo descritos neste blog que criei. Que é talvez a mãe de todos esse projectos.

Este blog nasceu para ver se eu encontraria os meus pares. Aqueles que também têm ideias peregrinas.